06
Jul
09

Em Alta Rotação Este Mês

Compilação do Mês de Julho:

  1. Tiny Vipers – Life On Earth [Life On Earth]
  2. The Twilight Sad – I Became A Prostitute [Forget The Night Ahead]
  3. Ganglians – Voodoo [Monster Head Room]
  4. White Denim – Radio Milk How Can You Stand It? [Fits]
  5. Neon Indian – Terminally Chill [Psychic Chasms]
  6. Johnny Foreigner – Camp Kelly Calm [Feels Like Summer EP]
  7. The Phantom Band – Folk Song Oblivion [Checkmate Savage]
  8. Florence And The Machine – Drumming [Lungs]
  9. YACHT – We Have All We Ever Wanted [See Mystery Lights]
  10. Let’s Wrestle – We Are The Men You’ll Grow To Love Soon [In The Court Of The Wrestling Let's]
  11. Golden Silvers – Magic Touch [True Romance]
  12. Engineers – Clean Coloured Wire [Three Fact Fader]
  13. Portugal. The Man – Do You? [The Satanic Satanist]
  14. jj – Masterplan [nº2]
  15. Bombay Bicycle Club – Magnet [I Had The Blues But I Shook Them Loose]
  16. Bibio – Sugarette [Ambivalence Avenue]
  17. Elephant Stone – The Straight Line [The Seven Seas]
  18. Clark – Rainbow Voodoo [Totems Flare]

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Harvest Breed.

04
Jul
09

Cachet 0, Vol. 7

Num mundo ideal, o sucesso crítico e comercial de uma banda dependeria exclusivamente do seu talento. Mas não vivemos num mundo ideal e há muita gente que, apesar de fazer música fraquinha, vai longe na indústria musical – de modo análogo, há outros tantos cheios de música maravilhosa para oferecer que nunca tiveram ou terão qualquer tipo de crédito, incentivo ou reconhecimento. Dizer isto na realidade é uma redundância, mas faz-nos reflectir: que tipo de valor devemos conhecer a bandas como os U2 ou Metallica? Mesmo dentro microcosmos que é a música alternativa portuguesa, que mais-valia têm aqueles que de vez em quando já tocam em festivais e cobram já cachets (essa palavra mágica para as bandas indie) respeitáveis regularmente?

O facto é que a música é apenas uma parte da equação, sendo que o resto é pura e simplesmente a capacidade da banda se gerir a si própria. Uma banda de originais com bons músicos (especialmente se for uma banda numerosa) é como um pequeno país, com várias facções políticas que entram em lobbying e debate entre si sempre que surge uma decisão criativa ou administrativa. Umas bandas assemelham-se mais a ditaduras (onde um ou dois membros assumem as rédeas), e outras a democracias (onde todos têm opiniões fortes por vezes contraditórias que o grupo tenta acomodar). De uma forma ou de outra, se toda a gente remar fortemente para a mesma direcção ensaia-se mais, dá-se mais concertos, faz-se mais networking.

Arthur C. Clarke dizia “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinta de magia”; aqui, uma banda com sucesso suficientemente grande é indistinta de uma empresa. Uma empresa onde todos trabalham diariamente para subir a quota de mercado, uma empresa com um bom departamento de marketing e relações públicas. Seja o ar desgraçado e “eu-sofro-pela-minha-arte” de B Fachada, ou a mega máquina de marketing e imagem dos The Gift, coisas destas aliadas a uma capacidade de auto-gestão são determinantes para um banda sair da garagem. Independentemente se está ou não a tentar dar lixo aos ouvintes. Porque os críticos são ouvintes como quaisquer outros, e podem ser tão enviesados ou influenciáveis como qualquer um de nós.

Fazer música não é difícil, difícil é fazer boa música. Mas isso pode não ser importante. Uma banda só precisa de fazer música para ser ouvida – com a imagem e hype certos, não precisa de ser música espectacular para ter um sucesso espectacular. Se muitas das bandas de garagem com quem já partilhei um palco tivessem a organização e capacidade de marketing de projectos como as Just Girls, os Da Weasel ou os The Gift, poderiam perfeitamente ter um sucesso comercial e crítico comparável a eles.

Which Will.

02
Jul
09

Cachet 0, Vol. 6

Em Inglaterra, trabalhei num estúdio que recebeu a Madonna para gravar um álbum recente. Nunca tinha visto uma estrela pop na minha vida, e dificilmente alguém poderá imaginar um artista pop vivo maior do que a Madonna. Nos dias antes de ela chegar, pensei que como seria ela: a Madonna é uma personagem tão enorme que por vezes é difícil vê-la como uma pessoa. Quando ela apareceu e começou a trabalhar, descobri que ela era uma mulher aparentemente fria, concentrada, diligente, exigente e para minha grande surpresa não menos humana do que muitas mulheres workaholics de sucesso que já conheci na vida. Tinha era uma particularidade de arrastar à volta dela um circo incrível de fotógrafos, guarda-costas, assistentes obsessivos e uma aura intimidatória, de eminência quase papal. Tudo isto já lhe era praticamente indiferente.

Pouco após a morte de Michael Jackson, as relações públicas de Madonna emitiram um comunicado revelando que ela está tão transtornada que não consegue parar de chorar. Eu não deixei de achar isto um pouco estranho. Será que aquela mulher tão tenaz, distante e objectiva esteve literalmente a chorar durante horas pela morte de uma outra mega-estrela? Ou será que foi uma hipérbole considerada adequada pelos conselheiros de relações públicas da “instituição Madonna”?

Perguntei-me se esta condição agridoce de ser uma superstar gera uma espécie de compaixão mútua – se era possível que Madonna, de uma estranha forma, conseguisse compreender melhor do que os outros a tragédia da vida pessoal de Jackson, e que a sua morte a magoasse profundamente. Mas Jackson foi de certa forma obrigado a ser um entertainer desde os 5 anos de idade, ao passo que Madonna voluntariamente procurou a fama e estrelato desde jovem adulta. Quando se é rico, um acto de insanidade mental ou de desespero é sempre visto como uma excentricidade e não pelo aquilo que é. Não sei se Madonna chorou como uma madalena por Jackson, mas um dia alguma superstar estará a emitir um comunicado parecido por ela.

Which Will.

27
Jun
09

Os 20 Álbuns Que Marcam 2009

  1. Grizzly Bear – Veckatimest
  2. Animal Collective – Merriweather Post Pavillion
  3. Dirty Projectors – Bitte Orca
  4. St. Vincent – Actor
  5. Bill Callahan – Sometimes I Wish We Were An Eagle
  6. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
  7. Bat For Lashes – Two Suns
  8. The Horrors – Primary Colours
  9. Future Of The Left – Travels With Myself And Another
  10. Sunset Rubdown – Dragonslayer
  11. Fever Ray – Fever Ray
  12. The Strange Boys – … And Girls Club
  13. Lindstrom & Prins Thomas – II
  14. Super Furry Animals – Dark Days/Light Years
  15. Micachu And The Shapes – Jewellery
  16. Japandroids – Post-Nothing
  17. The Intelligence – Fake Surfers
  18. Tim Hecker – An Imaginary Country
  19. The Field – Yesterday And Today
  20. Sky Larkin – The Golden Spike

Menções Honrosas:

  • Here We Go Magic – Here We Go Magic
  • Bowerbirds – Upper Air
  • Marissa Nadler – Little Hells
  • Ganglians – Monster Head Room
  • Clark – Totems Flare
  • Manic Street Preachers – Journal For Plague Lovers
  • Foreign Born – Person To Person
  • Lotus Plaza – The Floodlight Collective
  • Neon Indian – Psychic Chasms EP
  • The Antlers – Hospice
  • Passion Pit – Manners
  • Harvest Breed.

    23
    Jun
    09

    Novos Lançamentos: 6 em 1

    Tiny Vipers – Life On Earth

    Jesy Fortino tem apenas 25 anos, trabalhou num restaurante mexicano na zona de Seattle de onde é natural, e assume o alias de Tiny Vipers para dar largas à sua interessante carreira musical. Life On Earth é o seu segundo álbum, depois da sua estreia com Hands Across The Void, de 2007. Em muitos pontos, podemos traçar várias semelhanças no seu tom, estilo e sonoridade naquilo que Mark Kozelek faz com Sun Kil Moon e que Liz Harris faz com Grouper. De facto, Fortino combina bem os elementos acústicos, delicados, pensativos e sentidos de Sun Kil Moon, com a beleza transcendente dos véus sónicos sonhadores de Grouper. Em Life On Earth o que capta imediatamente a atenção do ouvinte é a proximidade quase pessoal que uma abordagem directa e de produção límpida que Fortino consegue atingir. Passe a comparação algo injusta, este disco pode mesmo ser o April de 2009.

    Tracklist:

    1. Eyes Like Ours
    2. Development
    3. Slow Motion
    4. Dreamer
    5. Time Takes
    6. Young God
    7. Life On Earth
    8. CM
    9. Tiger Mountain
    10. Twilight Property
    11. Outside

    ==========================================================================

    White Denim – Fits

    Workout Holiday, o registo de estreia dos texanos White Denim, valeu-lhes alguma merecida exposição, tendo para tal contado com a valiosa contribuição e apoio do blog Gorilla Vs Bear que inclusive nomeou a banda para álbum do ano. O seu segundo disco propriamente dito, Fits, vê a banda aprimorar aqueles pormenores que a fazem especialmente única. Na realidade, os White Denim não fazem rock revivalista de garagem dos anos 60 como muitos dos seus pares. Não tanto como fazem uma versão desregrada e directa do estilo, prescindindo dos truques de produção que são muito utilizados no meio. O que só torna a banda ainda mais especial. Em números a faixa de abertura Radio Milk How Can You Stand It, a galopante Mirrored And Reverse, a viciante Regina Holding Hands ou o single I Start To Run, os White Denim mostram a sua progressão para uma banda mais versátil e mais assumidamente pop. E isso é mesmo óptimo.

    Tracklist:

    1. Radio Milk How Can You Stand It
    2. All Consolation
    3. Say What You Want
    4. El Hard Attack Dcwyw
    5. I Start To Run
    6. Sex Prayer
    7. Mirrored And Reverse
    8. Paint Yourself
    9. I’d Have It Just The Way We Were
    10. Everybody Somebody
    11. Regina Holding Hands
    12. Syncn

    ==========================================================================

    Smith Westerns – Smith Westerns

    Faz alguma impressão o quão jovens são os integrantes dos Smith Westerns. Mal saíram da puberdade, todos com idades abaixo dos 20 anos, fazendo disso mais uma vantagem que outra coisa. Tal como os White Denim, adoptam uma abordagem mais pop ao rock de garagem que fazem, mas ao contrário dos White Denim, optam pela característica lo-fi do estilo. Ainda assim, a pura força das composições presentes no seu disco homónimo de estreia são mais que suficientes para captar a atenção de qualquer um. Esperaríamos faixas como Gimme Some Time de uns Black Lips no auge da sua forma, ou ainda Tonight de uns No Age ou até Girl In Love de uns T-Rex adolescentes. Se por um lado é díficil agrupar os Smith Westerns numa corrente recente de bandas com produção religiosamente lo-fi fazendo rock saudosista, é mais fácil apreciar o seu disco de estreia por aquilo que é: um conjunto de músicas pop ideais para ouvir no Verão.

    Tracklist:

    1. Dreams
    2. Boys Are Fine
    3. Gimme Some Time
    4. Girl In Love
    5. We Stay Out
    6. Tonight
    7. Be My Girl
    8. The Glam Goddess
    9. Diamond Boys
    10. My Heart

    ==========================================================================

    Let’s Wrestle – In The Court Of The Wrestling Let’s

    Donos de um sentido de humor imbatível e distintamente britânico, só agora, cerca de dois anos depois de ter pela primeira vez tomado conhecimento deles, é que o triunvirato londrino brilhantemente apelidado de Let’s Wrestle consegue efectivamente lançar o seu disco de estreia. No entanto, não desilude. Os seguidores da banda estarão por certo relembrados da sua excelente série de singles desde há uns meses para a começar no homónimo Let’s Wrestle (”Let’s wrestle… let’s FUCKING wrestle…”) até I’m In Fighting Mode. In The Court Of The Wrestling Let’s procura continuar, com sucesso, a veia de pérolas pop casadas com uma destreza lírica que as transforma num tipo completamente diferente de propostas. Apesar da sua sonoridade pouco preocupada com delicadezas, é interessante ver que praticamente todas as faixas são autênticas operações de charme. Impossível é não simpatizar com uma banda como estas, pretensiosismos à parte.

    Tracklist:

    1. My Arms Don’t Bend That Way, Damn It!
    2. I’m In Love With Destruction
    3. Tanks
    4. My Eyes Are Bleeding (Interlude)
    5. My Schedule
    6. We Are The Men You’ll Grow To Love Soon
    7. In Dreams
    8. Atlantis (Interlude)
    9. Song For Old People
    10. I Won’t Lie To You
    11. Diana’s Hair
    12. I’m In Fighting Mode
    13. Insects
    14. It’s Not Going To Happen
    15. Waltz (Interlude)
    16. In The Court Of The Wrestling Let’s

    ==========================================================================

    Ganglians – Monster Head Room

    A Woodsist, editora de origem de muitos noisemakers hoje em dia, descreve os Ganglians e o seu disco de estreia Monster Head Room como “all-over-the-map damaged-and-psychedelic noise-pop”. Mas desengane-se quem quiser ouvir aqui comparações minimamente plausíveis com outras bandas amantes do feedback e do ruído como os seus companheiros de editora Wavves ou Psychadelic Horseshit. Na verdade, é refrescante ouvir uma banda com um álbum que não corresponde exactamente às frases feitas da sua editora. Em Monster Head Room podemos encontrar uma vertente predominantemente psicadélica curiosamente fundida com um trabalho bastante aprumado da secção rítmica. De facto este é um álbum da secção rítmica por direito, que o prove a segunda faixa Voodoo, um impressionante trabalho de percussão e baixo, acompanhado por uma delicada guitarra. Monster Head Room é uma lufada de ar fresco nos quadros da Woodsist.

    Tracklist:

    1. Something Should Be Said
    2. Voodoo
    3. Lost Words
    4. Candy Girl
    5. Valiant Brave
    6. The Void
    7. To June
    8. 100 Years
    9. Crying Smoke
    10. Modern African Queen
    11. Try To Understand

    ==========================================================================

    Clark – Totems Flare

    Há poucas propostas tão activas e ao mesmo tempo tão interessantes no catálogo da Warp hoje em dia como a do produtor electrónico inglês Chris Clark. Já não é nenhum novato nestas andanças e na verdade, Totems Flare, o seu último disco, é também o seu quinto. Contudo, em nada parece ter vindo a sofrer a qualidade do seu processo criativo. Tal como no excelente Turning Dragon do ano passado, Totems Flare continua, desenvolve e aperfeiçoa a deliciosa apetência de Clark para fundir batidas complexas e muitas vezes agressivas e instigantes com melodias viciantes e dançáveis. Isso talvez não seja atingido com tanta perfeição como é nas primeiras três faixas: a periclitante Outside Plume, a volátil Growls Garden e aquela que é provavelmente a jóia da coroa de Totems Flare, Rainbow Voodoo.

    Tracklist:

    1. Outside Plume
    2. Growls Garden
    3. Rainbow Voodoo
    4. Look Into The Heart Now
    5. Luxman Furs
    6. Totem Crackerjack
    7. Future Daniel
    8. Primary Balloon Landing
    9. Talis
    10. Suns Of Temper
    11. Absence

    Harvest Breed.

    13
    Jun
    09

    Cachet 0, Vol. 5

    Eu sempre usei os primeiros volumes da antologia dos The Beatles para me guiar sobre como uma boa banda se devia formar e evidenciar no mundo da música. Dizia George Harrison, sobre os tempos dos fab four no violento circuito de música ao vivo de Hamburgo, que o seu patrão alemão lhe dizia todas as noites que eles tinham de “mach schau” (fazer show). Depois dava-lhes speed e eles tocavam aos berros e saltos durante horas a fio, sem parar. Harrison concluiu que, apesar dos métodos pouco ortodoxos, foi assim que os The Beatles aprenderam muito sobre entusiasmar públicos (e sobre disfarçar calinadas com acenos e piscar de olhos para o público).

    Suponho que há certas coisas que não mudam. Nos últimos concursos de bandas que temos participado, temos estado mais desleixados em termos de execução do que a maioria da “concorrência”. Mais, nunca somos a banda que traz os amigos todos para fazer claque, nem tão pouco a banda que tem o som mais equilibrado e certinho, ou certamente a banda que aparece com mais vontade de “ganhar”. Contudo, temos tido a felicidade de sermos apurados na grande maioria das eliminatórias em que participamos. Porquê? Porque nós em palco somos bastante físicos e agressivos, de uma maneira que a “concorrência” não é por terem de se concentrar em executar bem a sua música.

    Não digo isso com arrogância à “concorrência”, digo isso com uma ponta de pena. Nós só queremos tocar, “ganhar” concursos não é de todo uma prioridade ou objectivo para nós. Nem sequer sabemos quais são os prémios, são só concertos que damos com outras bandas. A pena que tenho é basicamente porque sinto que as pessoas estão a olhar para as guitarras a voar e os saltos de kung fu, e que não estão a ouvir as nossas músicas. Nós passámos horas e horas a escrever-las e fico com a sensação que ninguém as está a ouvir, que podiamos estar a tocar todos músicas diferentes mas desde que berrássemos e saltássemos muito os “juris” iriam gostar na mesma. É irónico que, num momento em que supostamente deveriamos estar a ser avaliados como banda, a nossa negligência pareça estar a ser encorajeada em prol dum espectáculo mais visual.

    Há qualquer coisa de desapontante no “mach schau”. Sinto-me como uma menina da Playboy que na entrevista insiste em mencionar que é doutorada em física quântica e que publicou vários artigos científicos sobre o assunto… Mas que na realidade sabe que está a ser apreciada de uma maneira muito mais imediata e muito menos cerebral.

    Which Will.

    09
    Jun
    09

    Em Alta Rotação Este Mês

    Compilação do Mês de Junho:

    1. HEALTH – Die Slow [Get Color]
    2. The Radio Dept. – David [David EP]
    3. The Twilight Sad – Reflection Of The Television [Forget The Night Ahead]
    4. Crystal Stilts – Love Is A Wave [Love Is A Wave Single]
    5. Sunset Rubdown – Apollo And The Buffalo And Anna Anna Anna Oh! [Dragonslayer]
    6. Wild Beasts – Hooting And Howling [Two Dancers]
    7. Bowerbirds – Beneath Your Tree [Upper Air]
    8. The Phenomenal Handclap Band – 15 To 20 [The Phenomenal Handclap Band]
    9. Simian Mobile Disco – Audacity Of Huge [Temporary Pleasure]
    10. Wave Machines – The Greatest Escape We Ever Made [Wave If You're Really There]
    11. Circulatory System – Signal Morning [Signal Morning]
    12. Dinosaur Jr. – Over It [Farm]
    13. YACHT – Psychic City (Voodoo City) [See Mystery Lights]
    14. Manic Street Preachers – This Joke Sport Severed [Journal For Plague Lovers]
    15. Thee Oh Sees – Enemy Destruct [Help]
    16. Blank Dogs – No Compass [Under And Under]
    17. Banjo Or Freakout – This City Is A Fake [Upside Down EP]
    18. Free Energy – Dream City [Free Energy]
    19. The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble – Munchen [Mutations EP]

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    Harvest Breed.

    06
    Jun
    09

    Novos Lançamentos: Wave Machines – Wave If You’re Really There

    Todos os anos, a blogosfera desdobra-se em múltiplos esforços para descobrir aquele álbum de pop veraneante e solarengo que eventualmente fará de banda sonora para um verão de festivais. Onde no ano passado foi In Ghost Colours, o segundo disco dos australianos Cut Copy, a escolha consensual, este ano parece ter recaído nos franceses Phoenix, e no seu estupidamente viciante quarto álbum Wolfgang Amadeus Phoenix, e no disco de estreia dos Passion Pit, Manners. Mas no meio do hype, é fácil ignorar discos como o primeiro dos Wave Machines, Wave If You’re Really There. Os Wave Machines são um quarteto de Liverpool composto por Tim Bruzon e Carl Brown, vocalistas, teclistas e guitarristas, James Walsh no baixo, e Vidar Norheim, baterista, e fazem música que encaixa na perfeição nos requerimentos necessários para se ser muito mais popular do que se é. Art-pop com fortes influências de electrónica doce e minimalista, mas deliciosamente pouco produzido e despretensioso, ao estilo de um cruzamento entre os Hot Chip, os XTC e os The Beta Band, pegando nas subtilezas electrónicas dos primeiros, nas peculiaridades pop dos segundos e nas imprevisibilidades e diversidades dos terceiros.

    De facto, torna-se um exercício especialmente complicado definir com certeza e claridade a música dos Wave Machines, à medida que a banda vai mudando a sua forma, o seu estilo, até saltando de género em género com resultados inesperados. Apesar da volatilidade, Wave If You’re Really There destaca-se por ser um álbum fácil, viciante e extremamente divertido de ouvir. Anunciado por dois dos mais imediatos singles do ano, Keep The Lights On e I Go I Go I Go, são fantásticas peças de disco suave e descontraído acompanhados por um falsetto a fazer lembrar sonoridades dos anos 70 e das necessárias linhas de baixo saltitantes e dançáveis. Ainda assim, não se pode dizer que Wave If You’re Really There seja um álbum para dançar na discoteca tanto quanto seja para abanar a cabeça num bar ou nos tais festivais de verão. A prova disso é a maneira doce e afectante como resolve começar. You Say The Stupidest Things, apesar do título, é praticamente uma balada, ao som de teclados calmos e minimalistas e logo seguidos de arpeggios de guitarra ao estilo de uns Radiohead. E como não costumo fazer crónicas em que deixe tantos nomes de bandas possivelmente comparáveis, fica já o sublinhado que nunca em momento algum deste disco se fica com a sensação de já se ter ouvido isto antes, ou de se apresentarem ideias usadas e bafientas.

    Aliás, isso não é propriamente algo com que se tenha tempo nem interesse para preocupação, o ouvinte estará demasiado ocupado com o simples divertimento que se tem a ouvir este disco. Peguemos no exemplo do também single The Greatest Escape We Ever Made, talvez o número que terá mais appeal para algum ouvinte casual. Desafio quem quer que seja a não bater o pé ou abanar a cabeça quando, com menos de dez segundos, entra a linha de baixo e pouco depois a vocalização em falsetto à moda dos Bee Gees. É capaz de ser cheesy ou camp, mas é simplesmente impossível de resistir ao charme de muitas destas músicas, até porque se apresentam com uma honestidade e um despretensiosismo desarmante. Essa é uma constante neste álbum, e é francamente complicado de encontrar uma banda que hoje em dia mostre tanta facilidade em seguir por esse caminho, disposta ao que for preciso para encontrar uma linha de sintetizador ou uma melodia viciante acima de tudo. Mas apenas oferece ainda mais crédito à estreia dos Wave Machines poder contar com propostas como Punk Spirit, praticamente uma música à volta da fogueira onde a banda lamenta a ausência do seu espírito punk, “Where’s my punk spirit, when I need it?”, ou Dead Houses, conduzida pela mão do baterista Vidar Norheim, desiludido com o abandono de habitações na sua cidade natal de Liverpool.

    Tracklist:

    1. You Say The Stupidest Things
    2. Carry Me Back To My Home
    3. I Go I Go I Go
    4. Keep The Lights On
    5. Punk Spirit
    6. The Greatest Escape We Ever Made
    7. Wave If You’re Really There
    8. I Joined A Union
    9. The Line
    10. Dead Houses

    Harvest Breed.

    05
    Jun
    09

    Novos Lançamentos: Sunset Rubdown – Dragonslayer

    Apesar de já acompanhar o seu percurso desde que começaram, confesso que fiquei impressionado quando cheguei à conclusão que se há disco ao qual tenho destinado mais audições ultimamente esse será mesmo o novo dos Sunset Rubdown. Leia-se impressionado, mas não surpreendido. A banda de Spencer Krug tem um repertório bastante respeitável, sendo este o seu quarto registo, mas ainda assim repertório esse que até parece magro quando o comparamos com o do seu líder, vocalista e compositor. De facto, Krug conta com um trabalho recente tão intenso quanto invejável e que faria corar qualquer outro músico que não seja Robert Pollard. Por entre lançamentos dos Sunset Rubdown, Krug desdobra-se, sem grande quebra de qualidade, pelos seus outros projectos, que assumem a forma dos Swan Lake (com Dan Bejar e Carey Mercer) e dos mais populares Wolf Parade (com Dan Boeckner e Dante DeCaro). Apenas em pouco menos de um ano, Krug e os seus variados projectos produziram nada menos que três álbuns: At Mount Zoomer, segundo dos Wolf Parade, Enemy Mine dos Swan Lake e agora Dragonslayer dos Sunset Rubdown. E apesar dos dois primeiros provavelmente não figurarem nos melhores lançamentos a contar com o envolvimento de Krug, não deixaram de ser propostas bastante respeitáveis.

    O que nos leva de novo a Dragonslayer e aos Sunset Rubdown. De facto, desafia a lógica que apenas um músico tenha tanto talento a sair-lhe dos poros ao ponto de ser criativamente assustador. Ainda assim, podemos dizer com confiança que é com os Sunset Rubdown que Krug se consegue exprimir mais facilmente e mais livremente, ainda que assumindo-se como o único compositor da banda, o que desde já não invalida participações importantes de todos os membros. Porque é talvez com Dragonslayer, o sucessor do épico Random Spirit Lover de 2007, que a banda soa mais crua e orgânica desde o seu disco de estreia, Snake’s Got A Leg. A marca que os Sunset Rubdown deixam é uma de inquietude criativa. Frequentemente encontramos nas composições de Krug estruturas ridiculamente diversas, passando até por várias bridges e refrões em lugares inesperados. O que não deve ser confundido com inacessibilidade. Quanto a mim, Krug não será outra coisa que não um compositor pop, ainda que com uma visão peculiar, ou melhor dizendo, particular, do pop. Dragonslayer reforça essa ideia, à qual também muito ajuda o facto dos Sunset Rubdown funcionarem como uma verdadeira banda, apesar da preponderância de Krug. Aqui destacam-se claramente as contribuições de Camilla Wynne Ingr nas melodias vocais, e de Michael Doerksen nas linhas de baixo. Tudo isto sublinha Dragonslayer como um dos mais eclécticos discos de 2009.

    Sendo certo que Random Spirit Lover conquistou muita da sua boa publicidade com números bastante infecciosos e marcantes, como The Mending Of The Gown ou The Courtesan Has Sung, em Dragonslayer provavelmente não encontraremos algo tão contagiante, mas certamente encontramos tanto ou mais divertimento com repetidas audições. Uma das provas disso mesmo é o primeiro single: com mais de seis minutos, duas bridges e várias mutações estruturais, Idiot Heart parece ser uma fonte inesgotável de ideias. Liricamente, Krug é igualmente único, seja trovando sobre mitologia, deuses e dragões, seja sobre algo mais corriqueiro. Um dos pontos altos, Apollo And The Buffalo And Anna Anna Anna Oh!, funde esses dois mundos na perfeição, passando pela nostalgia de “my god, i miss the way we used to be / so here’s a photograph for you to hold / it’s my picture right before I got old”, até à coda final de “You Hunter”, tudo com pano de fundo de excelentes trabalhos de teclados e delicadas e ensombrantes guitarras. Noutro lado encontramos Paper Lace, onde Krug faz um cover da sua própria música para os Swan Lake, transformando-a em algo mais preguiçoso e provocante, acabamos por concordar com ele quando no fim sussurra “that’s as good as it’ll get”. Encontramos mais uma amostra da diversidade da banda em Nightingale/December Song, com a sua percussão tribal e tensa a construir um clímax forte e sentido acompanhado por órgão. Dragonslayer perfaz uma belíssima adição a um repertório já forte dos Sunset Rubdown, mas a sua natureza faz deste álbum uma excelente porta de entrada para quem não conhece a banda.

    Tracklist:

    1. Silver Moons
    2. Idiot Heart
    3. Apollo And The Buffalo And Anna Anna Anna Oh!
    4. Black Swan
    5. Paper Lace
    6. You Go On Ahead (Trumpet Trumpet II)
    7. Nightingale/December Song
    8. Dragon’s Lair

    Harvest Breed.

    02
    Jun
    09

    Deerhunter no Lux 01-06-09

    Cerca de uma e tal da manhã e estou no Lux a olhar para Bradford Cox, vocalista e frontman dos Deerhunter, a mudar uma corda partida na sua guitarra depois do andamento frenético de Vox Celeste (de Weird Era Cont., parte 2 de Microcastle, o muito aclamado terceiro álbum da banda), enquanto o resto da banda brinda o público com uma improvisação country liderada pelo guitarrista Lockett Pundt e pelo baixista Josh Fauver. Foi um concerto de imprevistos e de surpresas. A primeira parte, assegurada pelos Ariel Pink’s Haunted Graffiti, acabou até por se alargar até durante mais tempo que o set de Deerhunter, mas isso não pareceu deixar de pé atrás a boa casa que brindou as duas bandas. Também muito por culpa do tipo de música que os Ariel Pink fazem: rock solarengo e pop com rasgos de psicadelismo e improviso aqui e ali. Ainda assim, era demasiado óbvio que o próprio Ariel Pink tomava demasiadas peta-zetas com coca cola para comunicar em condições com o público, fazendo-o em espanhol e com 300 efeitos na voz.

    Entram Deerhunter, pela primeira vez juntos em Portugal desde a saída do guitarrista Colin Mee da banda. Abriram as hostilidades logo com Cryptograms, piscando o olho aos apreciadores da discografia menos recente da banda de Atlanta. Na realidade, tocaram todas as músicas que um fã poderia pedir: os temas mais imediatos e populares de Microcastle, 3 faixas de Cryptograms (Octet, Hazel St e Cryptograms), a hipnótica Fluorescent Grey e ainda alguns lados B dos seus vários lançamentos. Apesar da quantidade enorme de hype e factor cool à sua volta nos E.U.A., a banda mostrou-se surpreendentemente despretensiosa, concentrada, humilde e até um pouco tímida. O único membro mais comunicativo foi mesmo Bradford Cox, fosse a explicar a diferença entre Athens, Georgia e Atlanta, Georgia, fosse a recontar fantasias de jangadas a descerem o rio Tejo. No fim brindou o público com uma jam de Neil Young (“Down By The River”) com os Haunted Grafitti. A jam foi muito fraquinha, mas não deixou de entreter imenso quem lá ficou.

    Muitas vezes, com o factor “uau!” e as modas da música moderna, esquecemos-nos do quão bom e divertido um concerto simples de rock pode ser. Nada de ontem foi exagero, fashion statement ou algo pormenorizadamente planeado. Foi apenas um concerto com 4 pessoas totalmente normais, acessíveis e divertidas, a divertir outros com músicas fenomenais e uma genuinidade, honestidade e espontaneidade tão raras no pântano de egos que é a música moderna.

    Nota: 10

    Which Will.