A noite de chuva junto ao rio não impediu a forte adesão de público ao antecipado concerto da dupla Animal Collective + Atlas Sound, e se há algo que possa ser dito dos concertos de Animal Collective é que são um acontecimento. Nos dias que correm, a banda está em plena fase de escrita de músicas para um novo álbum, e as suas aparições ao vivo passam muito por novas composições, algumas mais coerentes que outras, entrelaçadas com versões de material anterior. Assim, foi sem surpresa que se viu uma setlist quase completamente despida de músicas do seu último álbum, sendo as excepções os singles Fireworks e Peacebone, a primeira delas agora transformada num jam de quase um quarto de hora metendo pelo meio Essplode do segundo álbum, Danse Manatee, de 2001.
Ora, por um lado, há a curiosidade em ver como se saem as novas músicas num contexto ao vivo, por outro há a incógnita, e não é nada de se desprezar, de ir para um concerto virtualmente às escuras sobre o que lá se irá passar. E se no caso de Atlas Sound, actuando sem banda, preferindo versões mais ambientais e atmosféricas de músicas do seu último álbum, também é verdade que apareceram praticamente irreconhecíveis, já em Animal Collective a questão muitas vezes era saber o que se estava a ser tocado. Começando com Dancer, uma das novas músicas a ser alvo deste roadtest, a banda retorna ao lado mais reflexivo de Strawberry Jam em músicas como Cuckoo Cuckoo, aliás muito do novo material mostra uma afinidade com o último álbum. House, outra das novas músicas aposta muito no entrelaçar de melodias vocais, com bom efeito. Pena, pois, que o som tenha sido tão pobre, enterrando as malhas vocais dentro de vagas sonoras que as deixaram praticamente irreconhecíveis.
Peacebone e Fireworks (Essplode) vieram de uma leva, posicionadas razoavelmente a meio do set, e não desiludiram. Peacebone continua sem alterações à pulsante versão de estúdio, com a sua batida contundente, enquanto Fireworks, tirando os interlúdios de improviso, mantem o seu cariz muito singalong. Mas o novo material ainda dava mais mostras de qualidade, veja-se Bearhug (Walk Around With You), tocada a seguir a Fireworks, tem uma progressão semelhante a Peacebone, com linhas vocais soberbas e sempre em foco, será sem dúvida um dos pontos altos do novo álbum. Lá mais para o fim do set, Chocolate Girl (recuperada do álbum de estreia) e Comfy in Nautica, de Panda Bear, quase se tornam na mesma música, enquanto que a mexida Brother Sport, que a Blitz vai defendendo ser samba, é também um ponto alto. O encore acabou por ser de altos e baixos; a versão de Who Could Win a Rabbit? pareceu confusa e desorientada, enquanto Grass continua a ser tão frenética como era quando saiu Feels.
Os Animal Collective são sem dúvida uma experiência hipnótica ao vivo, o concerto no Lux contou com alguns factores que não permitiram que fosse uma vitória completa, e seja a fraca qualidade do som, seja o excesso de improvisação à base de samples entre músicas que quebram continuidade e tornam o espectáculo mais cansativo.
Nota: 7.5
Harvest Breed.
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