Arquivo de Julho, 2008

20
Jul
08

Sete Álbuns Esquecidos de 2008

  • Errors – It’s Not Something But It Is Like Whatever

Sendo protégés pessoais das lendas de post-rock Mogwai e fazendo parte das fileiras da sua própria editora, Rock Action, os Errors são mais uma agradável surpresa a aparecer na ‘cena’ musical de Glasgow. Tal como os Mogwai, a música dos Errors dá um papel central à proficiência dos instrumentais, mas ao contrário dos patrões, os Errors privilegiam música com tanto de tecnicamente admirável como dançável. Nesse aspecto, os Errors assumem-se mais como similares aos americanos Battles que propriamente à música escocesa, mas o resultado é igualmente espantoso.

Pontos Altos: Dance Music, Toes.

Myspace

  • 2562 – Aerial

Sim, é verdade. O dubstep internacionalizou-se. O aparecimento de Aerial, o disco de estreia de Dave Huismans, belga sediado em Haia, mostra isso mesmo. A sua abordagem não será tão ornamentada como a de Burial por exemplo, mas apostará no hipnotismo minimalista de Echospace. Contudo, o que acaba por atrair em Aerial não é tanto a sua vertente dubstep, mas antes a forma como explora o seu minimalismo e os seus silêncios.

Pontos Altos: Moog Dub, Channel Two.

Myspace

  • Have A Nice Life – Deathconsciousness

Provavelmente entre todos estes discos, o álbum de estreia dos Have A Nice Life, que se assumem como um cruzamento entre My Bloody Valentine, Joy Division e os doom drones dos Sunn O)), é o mais injustiçado de todos. “Our songs are too fucking brutal for myspace”, diz a banda no seu myspace, por isso não será lá que conseguirão grandes informações, mas eu até teria alguma confiança em dizer que Deathconsciousness, que assume o formato de duplo álbum, será o disco mais estruturado, construído, assustador e rockeiro que ouvirão todo o ano.

Pontos Altos: Bloodhail, Waiting for Black Metal Records to Come in the Mail.

Myspace

  • Hilotrons – Happymatic

Já não se dá tanto valor a boa música pop hoje em dia. Nas listas de fim de ano, os álbuns de pop realmente bom e bem estruturado nunca merecem mais do que uma nota de rodapé. Happymatic é ao mesmo tempo um álbum assumidamente poppy e um que é facilmente do melhor que será lançado este ano. Por essa razão se torna ainda mais difícil de compreender a sua relativa obscuridade. Mas uma coisa é certa, uma banda que consegue compor músicas tão ridiculamente viciantes como Emergency Street ou Big Plans só merece exposição.

Pontos Altos: Emergency Street, Lovesuit.

Myspace

  • Lucky Dragons – Dream Island Laughing Language

Com um total de 22 músicas, o novo disco dos Lucky Dragons, o alias do produtor e one-man-band Luke Fishbecks, não é um álbum no convencional significado da palavra, mas antes uma sinfonia de uma orquestra seriamente perturbada da cabeça. Mas Dream Island Laughing Language percebe e actua naquilo que os seus predecessores tinham falhado, e a sua grande vantagem acaba mesmo por ser a sua consistência.

Pontos Altos: Morning Ritual, Givers.

Myspace

  • Pyramids – Pyramids

Os texanos Pyramids, aqui no seu homónimo disco de estreia, fazem música de outro mundo, ou como talvez prefeririam, música do ‘grande desconhecido’. A sua sonoridade é etérea, incrivelmente absorvente e muito difícil de categorizar, mas isso não seria propriamente o que esperaríamos ao olhar para a duração das faixas. Apesar de concisas (nunca chegando aos 4 minutos), não são músicas de qualquer maneira, pelo menos não parece ser essa a maneira como a banda se pretende expressar. As comparações com bandas como Fuck Buttons ou Panda Bear acabam por ser inevitáveis, mas redutoras.

Pontos Altos: Sleds, The Echo Of Something Lovely.

Myspace

  • Vapnet – Döda Fallet

Os Vapnet são consideravelmente mais fáceis de categorizar, mas definitivamente não menos impressionantes. A cena sueca de indie pop doce e suave conheceu o seu líder com a crescente popularidade internacional de Jens Lekman, oriundo de Gotemburgo e escrevendo música sobre o bairro de Kortedala, mas definitivamente não se esgota com ele. Já tendo tocado com Lekman, os Vapnet têm um olho muito peculiar para as melodias, que já tinham mostrado nos seus dois álbuns anteriores, mas, agora com banda completa e com tempo de estúdio, Döda Fallet é o fantástico resultado do último dos Vapnet.

Pontos Altos: Plötsligt Händer Det Inte, Nyår.

Myspace

Harvest Breed.

09
Jul
08

Novos Lançamentos: The Walkmen – You & Me

“I know that it’s true / It’s gonna be a good year”, vocifera Hamilton Leithauser, frontman e vocalista dos indie rockers nova-iorquinos The Walkmen num dos temas de apresentação do seu novo registo, You & Me, In The New Year. E bem precisa a banda desse ano em cheio em 2008, que marca o seu regresso a álbuns de originais depois de uma pausa de dois anos que se seguiu ao lançamento de A Hundred Miles Off. Depois de dois álbuns fantásticos em Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone e Bows And Arrows, que viu a banda estabelecer-se como uma banda de culto dentro dos seus círculos, também ajudada pelos seus desarmantes espectáculos ao vivo, e que significou o período criativamente mais rico dos The Walkmen, apoiado em verdadeiros hinos como Wake Up ou We’ve Been Had do primeiro disco e The Rat e Thinking Of A Dream I Had do segundo, a banda encalhou em A Hundred Miles Off, um registo confuso e inconsistente com apenas pequenos fugachos daquilo que da banda especial entre 2002 e 2004. Apesar disso, temas como Louisiana ou o cover dos Manzarin Another One Goes By mantinham viva a ideia dos dois primeiros discos.

You & Me vê os The Walkmen a pegar onde esses bons raios de luz em A Hundred Miles Off os deixaram e prosseguem na procura de rock tradicional, mas de texturas ricas. A tradicional adição de secções de sopro e de orgãos grandiosos, de que muitos fãs já teriam pedido após o último álbum de estúdio, é sem dúvida vista com bons olhos aqui, e não só providencia uma agradável muleta às composições da banda como as dá verdadeiramente uma nova dimensão. Liricamente, Leithauser sempre esteve em grande forma, e aqui dá continuidade à sua obsessão por temas como o inverno, o natal e até a neve, sempre sublinhando a sua  reputação como dos melhores liricistas do indie hoje em dia; e quando todos os outros elementos o acompanham, como aconteceu no seu disco de estreia, os resultados são esmagadores. E é o que volta a acontecer nesta epopeia de quarto álbum, que chega quase à hora de música, virtualmente sem pontos fracos.

Apesar de toda a luz que irá irromper mais lá para a frente, You & Me inicia-se numa nota muito sombria e reflectiva com a faixa quase ironicamente chamada Donde Está La Playa?, com uma guitarra a soluçar com a cadência de um relógio, é tanto um sinal de aviso como uma sirene de batalha; “Well, it’s back to the battle today / But I wouldn’t have it any other way“. Donde Está La Playa? serve de introdução, mas dá a sensação que o álbum começa mesmo com On The Water, uma faixa repleta de groove e com um crescendo grandioso inicia um ciclo de faixas que se acertam em pleno e vão até ao fim do álbum. Para além de consistente, You & Me revela-se surpreendemente ecléctico e há aqui material para todo o tipo de fãs da banda e até mesmo para quem acompanha a sua carreira de fora. Os amantes dos singles directos e furiosos têm aqui faixas como In The New Year ou Postcards From Tiny Islands, enquanto que em faixas como a dolorosamente bela Red Moon ou a final If Only It Were True mostram o lado mais introspectivo da banda, passando ainda pelo ritmo caribenho de Canadian Girl e ainda por faixas que dão largas à já famosa percussão dos The Walkmen, como Four Provinces, I Lost You e The Blue Route.

Tracklist:

  1. Dónde Está La Playa?
  2. Flamingos (For Colbert)
  3. On The Water
  4. In The New Year
  5. Seven Years Of Holidays (For Stretch)
  6. Postcards From Tiny Islands
  7. Red Moon
  8. Canadian Girl
  9. Four Provinces
  10. Long Time Ahead Of US
  11. The Blue Route
  12. New Country
  13. I Lost You
  14. If Only It Were True

Harvest Breed.

01
Jul
08

Os 15 Melhores Álbuns de (Metade de) 2008

  1. Portishead – Third
  2. Fleet Foxes – Fleet Foxes
  3. Lykke Li – Youth Novels
  4. Deerhunter – Microcastle
  5. No Age – Nouns
  6. British Sea Power – Do You Like Rock Music?
  7. Cut Copy – In Ghost Colours
  8. Johnny Foreigner – Waited Up ‘Til It Was Light
  9. The Notwist – The Devil, You + Me
  10. Women – Women
  11. School Of Language – Sea From Shore
  12. Frightened Rabbit – The Midnight Organ Fight
  13. The Dodos – Visiter
  14. Flying Lotus – Los Angeles
  15. Mystery Jets – 21
  16. Menções honrosas para:

Foals – Antidotes, Beach House – Devotion, Born Ruffians – Red, Yellow & Blue, Quiet Village – Silent Movie, Sun Kil Moon – April, Youthmovies – Good Nature, Grouper – Dragging A Dead Deer Up A Hill, Kelley Polar – I Need You To Hold On While The Sky Is Falling, Vivian Girls – Vivian Girls, The Envy Corps – Dwell, Pete & The Pirates – Little Death, These New Puritans – Beat Pyramid, Pocahaunted – Island Diamonds, The Muslims – The Muslims.

Harvest Breed.

01
Jul
08

Os 30 Álbuns do Ano, Vols. #13-#30 (Lista Final)

E porque as coisas não duram para sempre e já aí se aproxima o Verão de 2008, decidimos aqui no blog pôr um fim ao ano de 2007. Um ano que marcou uma mudança que se poderá vir a provar histórica no mundo da música. Luís Filipe Reis lançou o seu 15º álbum, Só P’ra Dançar, e a indústria da música não mais voltou a ser a mesma. Mas 2007 foi também um ano de grandes trabalhos musicais, sejam discos de estreia (já tínhamos antes falado do álbum de Future Of The Left, por exemplo), sejam confirmações de talento (ver Field Music ou !!! já antes discutidos), sejam discos esperados que resultaram em autênticas voltas de honra (Of Montreal, Spoon) ou até mesmo discos que tecnicamente não foram propriamente álbuns (No Age…). Foram esses e outros que procurámos homenagear com esta rubrica que hoje se encerra. Novamente frisando não ter nenhuma ordem, segue:

Klaxons – Myths Of The Near Future

Chega ao fim do ano como praticamente um dinossauro, depois de uma nomeação e conquista do prestigiado Mercury Prize em Inglaterra, Myths Of The Near Future é energético, melódico e carrega músicas que têm tanto de acessíveis como de viciantes.

Para fãs de: The Rapture, !!!.

Pontos Altos: As Above, So Below; Two Receivers.

Iron & Wine – The Shepherd’s Dog

Por esta altura já não é segredo nenhum, Sam Beam é um dos grandes nomes do folk actual. The Creek Drank The Cradle e Our Endless Numbered Days registaram a evolução natural da mente musical de Beam, e The Shepherd’s Dog é mais uma confirmação.

Para fãs de: Bonnie ‘Prince’ Billy, Bon Iver.

Pontos Altos: Boy With A Coin, Pagan Angel And A Borrowed Car.

The Black Lips – Good Bad Not Evil

Adeptos fervorosos do punk à moda antiga, Good Bad Not Evil representou o álbum em que os Black Lips transformaram o seu appeal em palco para disco. É também dono e senhor de uma consistênsia muito admirável para um álbum de punk revivalista.

Para fãs de: The Exploding Hearts, King Khan.

Pontos Altos: O Katrina, Bad Kids.

Chromatics – Night Drive

Mais revivalismo, desta vez de disco melancólico a fazer lembrar Giorgio Moroder, com um especial olho para uma produção fria e emocionalmente removida, mas com resultados impressionantes. Night Drive prima pela beleza e pela simplicidade minimalista.

Para fãs de: Glass Candy, Giorgio Moroder.

Pontos Altos: Night Drive, Healer.

Animal Collective – Strawberry Jam

Oitavo álbum, os Animal Collective continuam a produzir malhas pop emergidas num imenso mar de batidas tribais, electrónica experimental ou praticamente tudo em que consigam pôr as mãos. Mas Straeberry Jam é capaz de ser o seu álbum mais consistente e eficaz até à data.

Para fãs de: Animal Collective.

Pontos Altos: For Reverend Green, Fireworks.

World’s End Girlfriend – Hurtbreak Wonderland

Post-rock com um ponto de vista interessante e necessariamente diferente, Hurtbreak Wonderland é o oitavo registo de Katsuhiko Maeda, World’s End Girlfriend, possui laivos de electrónica e experimentalismo que assume contornos de beleza inesperada.

Para fãs de: Tortoise, Té.

Pontos Altos: 100 Years Of Choke, Birthday Resistance.

Burial – Untrue

Apesar de toda a poeira que se levantou com a histeria à volta do dubstep, não podemos dizer que não seja justificada. Untrue é o segundo e mais consistente álbum do mistério que é Burial, revestindo-se de arranjos assustadores e desarmantes.

Para fãs de: Kode9, Boxcutter.

Pontos Altos: Archangel, Near Dark.

White Rabbits – Fort Nightly

Acabaram por ser uma das maiores revelações do ano, e com razão de ser. Fort Nightly é de uma riqueza impressionante para um disco de estreia, seja ela riqueza de arranjos, seja mesmo de criatividade de composição.

Para fãs de: Spoon, The Walkmen.

Pontos Altos: The Plot, While We Go Dancing.

The Twilight Sad – Fourteen Autumns And Fifteen Winters

A primeira coisa que notamos ao ouvir o disco de estreia dos Twilight Sad é o sotaque escocês ultra-pronunciado do vocalista James Graham, o que seria mais que suficiente para distrair muita gente, mas o que fica na memória são algumas das pérolas sentidas que este álbum traz.

Para fãs de: Frightened Rabbit, Arcade Fire.

Pontos Altos: And She Would Darken The Memory, That Summer, at Home I Had Become the Invisible Boy.

Apparat – Walls

Walls, lançado depois da sua bem-sucedida colaboração com Ellen Allien, representou para os Apparat uma viragem para uma direcção inesperada. Sascha Ring, aka Apparat, mostrou com este disco ter um especial olho para composições mais pop, nunca esquecendo as atmosferas cativantes que sempre produziu.

Para fãs de: Ellen Allien, Junior Boys.

Pontos Altos: Useless Information, Fractales Pt.1.

Les Savy Fav – Let’s Stay Friends

Quase não pareceu, mas este foi um álbum de regresso para os Les Savy Fav, já há muito com reputação de banda poderosa e ecléctica para além de sempre imprevisível ao vivo. Let’s Stay Friends capitalizou essa reputação e merecidamente colocou a banda num estatuto de reconhecimento geral.

Para fãs de: Constantines, Mclusky.

Pontos Altos: What Would Wolves Do?, Patty Lee.

LCD Soundsystem – Sound Of Silver

Era inevitável, não era? Nos últimos anos, especialmente depois do lançamento do álbum homónimo dos LCD Soundsystem, quer James Murphy quer a DFA ficaram sinónimo de uma marca de qualidade, e apesar de nem tudo serem rosas, Sound Of Silver é certamente um dos álbuns mais memoráveis do ano.

Para fãs de: The Rapture, Daft Punk.

Pontos Altos: All My Friends, Someone Great.

Radiohead – In Rainbows

Se Sound Of Silver era inevitável, este é inquestionável. Para além de todo o folclore que o rodeou, o simples facto de conter alguma da música mais simples, mas diversa e tremendamente bem estruturada dos últimos anos, voltou a elevar estes cinco músicos ao patamar de divindades musicais depois do intervalo de 4 anos.

Para fãs de: Radiohead.

Pontos Altos: Weird Fishes/Arpeggi, Reckoner.

Bon Iver – For Emma, Forever Ago

Em conjunto com The Shepherd’s Dog, é um dos álbuns tradicionalmente folk de 2007, mas For Emma, Forever Ago concentra uma abordagem mais lo-fi, apoiada no falsetto quase divinal de Justin Vernon, que faz deste disco um dos mais desarmantes e belos do ano.

Para fãs de: Iron & Wine, Sufjan Stevens.

Pontos Altos: Blindsided, Re: Stacks.

Okkervil River – The Stage Names

Depois do sucesso crítico que se tornou Black Sheep Boy em 2005, The Stage Names era um disco que assumia um carácter de estabilização da ‘marca’ Okkervil River, e a banda acaba por passar o teste com distinção. The Stage Names mostra uma evolução na composição da banda, apostando na consistência.

Para fãs de: Bright Eyes, Spoon.

Pontos Altos: Unless It Kicks, A Hand To Take Hold Of The Scene.

Boxcutter – Glyphic

Empilhado no mesmo monte do boom de dubstep depois do aparecimento de Burial e do lançamento do seu primeiro disco na discográfica Planet Mu, Oneiric, Boxcutter faz uma evolução natural do seu som para pastos mais ambiciosos, e o resultado é plenamente satisfatório.

Para fãs de: Burial, Kode9.

Pontos Altos: Glyphic, Rusty Break.

The Cribs – Men’s Needs, Women’s Needs, Whatever

Saindo quase sorrateiramente da cena degradante do lad rock inglês, os The Cribs têm vindo recentemente a receber apoios de lados inesperados, desde Alex Kapranos até Johnny Marr, passando por Stephen Malkmus, mas tudo com boa razão. O seu último disco é uma colecção de pérolas de rock directo e sem rodeios.

Para fãs de: The Strokes, The Libertines.

Pontos Altos: Girls Like Mystery, Men’s Needs.

Battles – Mirrored

Uma verdadeira constelação de nomes sonantes do indie rock mais tradicional, de math rock e até do avant-garde, os Battles cumpriram a promessa num disco de estreia que pavoneia todas as suas peculiaridades individuais e se revela não só surpreendemente fácil de ouvir como estranhamente viciante.

Para fãs de: Don Caballero, Helmet, Pattern Is Movement.

Pontos Altos: Atlas, Tonto.

Harvest Breed.