E porque as coisas não duram para sempre e já aí se aproxima o Verão de 2008, decidimos aqui no blog pôr um fim ao ano de 2007. Um ano que marcou uma mudança que se poderá vir a provar histórica no mundo da música. Luís Filipe Reis lançou o seu 15º álbum, Só P’ra Dançar, e a indústria da música não mais voltou a ser a mesma. Mas 2007 foi também um ano de grandes trabalhos musicais, sejam discos de estreia (já tínhamos antes falado do álbum de Future Of The Left, por exemplo), sejam confirmações de talento (ver Field Music ou !!! já antes discutidos), sejam discos esperados que resultaram em autênticas voltas de honra (Of Montreal, Spoon) ou até mesmo discos que tecnicamente não foram propriamente álbuns (No Age…). Foram esses e outros que procurámos homenagear com esta rubrica que hoje se encerra. Novamente frisando não ter nenhuma ordem, segue:
Klaxons – Myths Of The Near Future
Chega ao fim do ano como praticamente um dinossauro, depois de uma nomeação e conquista do prestigiado Mercury Prize em Inglaterra, Myths Of The Near Future é energético, melódico e carrega músicas que têm tanto de acessíveis como de viciantes.
Para fãs de: The Rapture, !!!.
Pontos Altos: As Above, So Below; Two Receivers.
Iron & Wine – The Shepherd’s Dog
Por esta altura já não é segredo nenhum, Sam Beam é um dos grandes nomes do folk actual. The Creek Drank The Cradle e Our Endless Numbered Days registaram a evolução natural da mente musical de Beam, e The Shepherd’s Dog é mais uma confirmação.
Para fãs de: Bonnie ‘Prince’ Billy, Bon Iver.
Pontos Altos: Boy With A Coin, Pagan Angel And A Borrowed Car.
The Black Lips – Good Bad Not Evil
Adeptos fervorosos do punk à moda antiga, Good Bad Not Evil representou o álbum em que os Black Lips transformaram o seu appeal em palco para disco. É também dono e senhor de uma consistênsia muito admirável para um álbum de punk revivalista.
Para fãs de: The Exploding Hearts, King Khan.
Pontos Altos: O Katrina, Bad Kids.
Chromatics – Night Drive
Mais revivalismo, desta vez de disco melancólico a fazer lembrar Giorgio Moroder, com um especial olho para uma produção fria e emocionalmente removida, mas com resultados impressionantes. Night Drive prima pela beleza e pela simplicidade minimalista.
Para fãs de: Glass Candy, Giorgio Moroder.
Pontos Altos: Night Drive, Healer.
Animal Collective – Strawberry Jam
Oitavo álbum, os Animal Collective continuam a produzir malhas pop emergidas num imenso mar de batidas tribais, electrónica experimental ou praticamente tudo em que consigam pôr as mãos. Mas Straeberry Jam é capaz de ser o seu álbum mais consistente e eficaz até à data.
Para fãs de: Animal Collective.
Pontos Altos: For Reverend Green, Fireworks.
World’s End Girlfriend – Hurtbreak Wonderland
Post-rock com um ponto de vista interessante e necessariamente diferente, Hurtbreak Wonderland é o oitavo registo de Katsuhiko Maeda, World’s End Girlfriend, possui laivos de electrónica e experimentalismo que assume contornos de beleza inesperada.
Para fãs de: Tortoise, Té.
Pontos Altos: 100 Years Of Choke, Birthday Resistance.
Burial – Untrue
Apesar de toda a poeira que se levantou com a histeria à volta do dubstep, não podemos dizer que não seja justificada. Untrue é o segundo e mais consistente álbum do mistério que é Burial, revestindo-se de arranjos assustadores e desarmantes.
Para fãs de: Kode9, Boxcutter.
Pontos Altos: Archangel, Near Dark.
White Rabbits – Fort Nightly
Acabaram por ser uma das maiores revelações do ano, e com razão de ser. Fort Nightly é de uma riqueza impressionante para um disco de estreia, seja ela riqueza de arranjos, seja mesmo de criatividade de composição.
Para fãs de: Spoon, The Walkmen.
Pontos Altos: The Plot, While We Go Dancing.
The Twilight Sad – Fourteen Autumns And Fifteen Winters
A primeira coisa que notamos ao ouvir o disco de estreia dos Twilight Sad é o sotaque escocês ultra-pronunciado do vocalista James Graham, o que seria mais que suficiente para distrair muita gente, mas o que fica na memória são algumas das pérolas sentidas que este álbum traz.
Para fãs de: Frightened Rabbit, Arcade Fire.
Pontos Altos: And She Would Darken The Memory, That Summer, at Home I Had Become the Invisible Boy.
Apparat – Walls
Walls, lançado depois da sua bem-sucedida colaboração com Ellen Allien, representou para os Apparat uma viragem para uma direcção inesperada. Sascha Ring, aka Apparat, mostrou com este disco ter um especial olho para composições mais pop, nunca esquecendo as atmosferas cativantes que sempre produziu.
Para fãs de: Ellen Allien, Junior Boys.
Pontos Altos: Useless Information, Fractales Pt.1.
Les Savy Fav – Let’s Stay Friends
Quase não pareceu, mas este foi um álbum de regresso para os Les Savy Fav, já há muito com reputação de banda poderosa e ecléctica para além de sempre imprevisível ao vivo. Let’s Stay Friends capitalizou essa reputação e merecidamente colocou a banda num estatuto de reconhecimento geral.
Para fãs de: Constantines, Mclusky.
Pontos Altos: What Would Wolves Do?, Patty Lee.
LCD Soundsystem – Sound Of Silver
Era inevitável, não era? Nos últimos anos, especialmente depois do lançamento do álbum homónimo dos LCD Soundsystem, quer James Murphy quer a DFA ficaram sinónimo de uma marca de qualidade, e apesar de nem tudo serem rosas, Sound Of Silver é certamente um dos álbuns mais memoráveis do ano.
Para fãs de: The Rapture, Daft Punk.
Pontos Altos: All My Friends, Someone Great.
Radiohead – In Rainbows
Se Sound Of Silver era inevitável, este é inquestionável. Para além de todo o folclore que o rodeou, o simples facto de conter alguma da música mais simples, mas diversa e tremendamente bem estruturada dos últimos anos, voltou a elevar estes cinco músicos ao patamar de divindades musicais depois do intervalo de 4 anos.
Para fãs de: Radiohead.
Pontos Altos: Weird Fishes/Arpeggi, Reckoner.
Bon Iver – For Emma, Forever Ago
Em conjunto com The Shepherd’s Dog, é um dos álbuns tradicionalmente folk de 2007, mas For Emma, Forever Ago concentra uma abordagem mais lo-fi, apoiada no falsetto quase divinal de Justin Vernon, que faz deste disco um dos mais desarmantes e belos do ano.
Para fãs de: Iron & Wine, Sufjan Stevens.
Pontos Altos: Blindsided, Re: Stacks.
Okkervil River – The Stage Names
Depois do sucesso crítico que se tornou Black Sheep Boy em 2005, The Stage Names era um disco que assumia um carácter de estabilização da ‘marca’ Okkervil River, e a banda acaba por passar o teste com distinção. The Stage Names mostra uma evolução na composição da banda, apostando na consistência.
Para fãs de: Bright Eyes, Spoon.
Pontos Altos: Unless It Kicks, A Hand To Take Hold Of The Scene.
Boxcutter – Glyphic
Empilhado no mesmo monte do boom de dubstep depois do aparecimento de Burial e do lançamento do seu primeiro disco na discográfica Planet Mu, Oneiric, Boxcutter faz uma evolução natural do seu som para pastos mais ambiciosos, e o resultado é plenamente satisfatório.
Para fãs de: Burial, Kode9.
Pontos Altos: Glyphic, Rusty Break.
The Cribs – Men’s Needs, Women’s Needs, Whatever
Saindo quase sorrateiramente da cena degradante do lad rock inglês, os The Cribs têm vindo recentemente a receber apoios de lados inesperados, desde Alex Kapranos até Johnny Marr, passando por Stephen Malkmus, mas tudo com boa razão. O seu último disco é uma colecção de pérolas de rock directo e sem rodeios.
Para fãs de: The Strokes, The Libertines.
Pontos Altos: Girls Like Mystery, Men’s Needs.
Battles – Mirrored
Uma verdadeira constelação de nomes sonantes do indie rock mais tradicional, de math rock e até do avant-garde, os Battles cumpriram a promessa num disco de estreia que pavoneia todas as suas peculiaridades individuais e se revela não só surpreendemente fácil de ouvir como estranhamente viciante.
Para fãs de: Don Caballero, Helmet, Pattern Is Movement.
Pontos Altos: Atlas, Tonto.
Harvest Breed.