02
Jun
09

Deerhunter no Lux 01-06-09

Cerca de uma e tal da manhã e estou no Lux a olhar para Bradford Cox, vocalista e frontman dos Deerhunter, a mudar uma corda partida na sua guitarra depois do andamento frenético de Vox Celeste (de Weird Era Cont., parte 2 de Microcastle, o muito aclamado terceiro álbum da banda), enquanto o resto da banda brinda o público com uma improvisação country liderada pelo guitarrista Lockett Pundt e pelo baixista Josh Fauver. Foi um concerto de imprevistos e de surpresas. A primeira parte, assegurada pelos Ariel Pink’s Haunted Graffiti, acabou até por se alargar até durante mais tempo que o set de Deerhunter, mas isso não pareceu deixar de pé atrás a boa casa que brindou as duas bandas. Também muito por culpa do tipo de música que os Ariel Pink fazem: rock solarengo e pop com rasgos de psicadelismo e improviso aqui e ali. Ainda assim, era demasiado óbvio que o próprio Ariel Pink tomava demasiadas peta-zetas com coca cola para comunicar em condições com o público, fazendo-o em espanhol e com 300 efeitos na voz.

Entram Deerhunter, pela primeira vez juntos em Portugal desde a saída do guitarrista Colin Mee da banda. Abriram as hostilidades logo com Cryptograms, piscando o olho aos apreciadores da discografia menos recente da banda de Atlanta. Na realidade, tocaram todas as músicas que um fã poderia pedir: os temas mais imediatos e populares de Microcastle, 3 faixas de Cryptograms (Octet, Hazel St e Cryptograms), a hipnótica Fluorescent Grey e ainda alguns lados B dos seus vários lançamentos. Apesar da quantidade enorme de hype e factor cool à sua volta nos E.U.A., a banda mostrou-se surpreendentemente despretensiosa, concentrada, humilde e até um pouco tímida. O único membro mais comunicativo foi mesmo Bradford Cox, fosse a explicar a diferença entre Athens, Georgia e Atlanta, Georgia, fosse a recontar fantasias de jangadas a descerem o rio Tejo. No fim brindou o público com uma jam de Neil Young (“Down By The River”) com os Haunted Grafitti. A jam foi muito fraquinha, mas não deixou de entreter imenso quem lá ficou.

Muitas vezes, com o factor “uau!” e as modas da música moderna, esquecemos-nos do quão bom e divertido um concerto simples de rock pode ser. Nada de ontem foi exagero, fashion statement ou algo pormenorizadamente planeado. Foi apenas um concerto com 4 pessoas totalmente normais, acessíveis e divertidas, a divertir outros com músicas fenomenais e uma genuinidade, honestidade e espontaneidade tão raras no pântano de egos que é a música moderna.

Nota: 10

Which Will.


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