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Jun
09

Novos Lançamentos: Wave Machines – Wave If You’re Really There

Todos os anos, a blogosfera desdobra-se em múltiplos esforços para descobrir aquele álbum de pop veraneante e solarengo que eventualmente fará de banda sonora para um verão de festivais. Onde no ano passado foi In Ghost Colours, o segundo disco dos australianos Cut Copy, a escolha consensual, este ano parece ter recaído nos franceses Phoenix, e no seu estupidamente viciante quarto álbum Wolfgang Amadeus Phoenix, e no disco de estreia dos Passion Pit, Manners. Mas no meio do hype, é fácil ignorar discos como o primeiro dos Wave Machines, Wave If You’re Really There. Os Wave Machines são um quarteto de Liverpool composto por Tim Bruzon e Carl Brown, vocalistas, teclistas e guitarristas, James Walsh no baixo, e Vidar Norheim, baterista, e fazem música que encaixa na perfeição nos requerimentos necessários para se ser muito mais popular do que se é. Art-pop com fortes influências de electrónica doce e minimalista, mas deliciosamente pouco produzido e despretensioso, ao estilo de um cruzamento entre os Hot Chip, os XTC e os The Beta Band, pegando nas subtilezas electrónicas dos primeiros, nas peculiaridades pop dos segundos e nas imprevisibilidades e diversidades dos terceiros.

De facto, torna-se um exercício especialmente complicado definir com certeza e claridade a música dos Wave Machines, à medida que a banda vai mudando a sua forma, o seu estilo, até saltando de género em género com resultados inesperados. Apesar da volatilidade, Wave If You’re Really There destaca-se por ser um álbum fácil, viciante e extremamente divertido de ouvir. Anunciado por dois dos mais imediatos singles do ano, Keep The Lights On e I Go I Go I Go, são fantásticas peças de disco suave e descontraído acompanhados por um falsetto a fazer lembrar sonoridades dos anos 70 e das necessárias linhas de baixo saltitantes e dançáveis. Ainda assim, não se pode dizer que Wave If You’re Really There seja um álbum para dançar na discoteca tanto quanto seja para abanar a cabeça num bar ou nos tais festivais de verão. A prova disso é a maneira doce e afectante como resolve começar. You Say The Stupidest Things, apesar do título, é praticamente uma balada, ao som de teclados calmos e minimalistas e logo seguidos de arpeggios de guitarra ao estilo de uns Radiohead. E como não costumo fazer crónicas em que deixe tantos nomes de bandas possivelmente comparáveis, fica já o sublinhado que nunca em momento algum deste disco se fica com a sensação de já se ter ouvido isto antes, ou de se apresentarem ideias usadas e bafientas.

Aliás, isso não é propriamente algo com que se tenha tempo nem interesse para preocupação, o ouvinte estará demasiado ocupado com o simples divertimento que se tem a ouvir este disco. Peguemos no exemplo do também single The Greatest Escape We Ever Made, talvez o número que terá mais appeal para algum ouvinte casual. Desafio quem quer que seja a não bater o pé ou abanar a cabeça quando, com menos de dez segundos, entra a linha de baixo e pouco depois a vocalização em falsetto à moda dos Bee Gees. É capaz de ser cheesy ou camp, mas é simplesmente impossível de resistir ao charme de muitas destas músicas, até porque se apresentam com uma honestidade e um despretensiosismo desarmante. Essa é uma constante neste álbum, e é francamente complicado de encontrar uma banda que hoje em dia mostre tanta facilidade em seguir por esse caminho, disposta ao que for preciso para encontrar uma linha de sintetizador ou uma melodia viciante acima de tudo. Mas apenas oferece ainda mais crédito à estreia dos Wave Machines poder contar com propostas como Punk Spirit, praticamente uma música à volta da fogueira onde a banda lamenta a ausência do seu espírito punk, “Where’s my punk spirit, when I need it?”, ou Dead Houses, conduzida pela mão do baterista Vidar Norheim, desiludido com o abandono de habitações na sua cidade natal de Liverpool.

Tracklist:

  1. You Say The Stupidest Things
  2. Carry Me Back To My Home
  3. I Go I Go I Go
  4. Keep The Lights On
  5. Punk Spirit
  6. The Greatest Escape We Ever Made
  7. Wave If You’re Really There
  8. I Joined A Union
  9. The Line
  10. Dead Houses

Harvest Breed.


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