Tiny Vipers – Life On Earth

Jesy Fortino tem apenas 25 anos, trabalhou num restaurante mexicano na zona de Seattle de onde é natural, e assume o alias de Tiny Vipers para dar largas à sua interessante carreira musical. Life On Earth é o seu segundo álbum, depois da sua estreia com Hands Across The Void, de 2007. Em muitos pontos, podemos traçar várias semelhanças no seu tom, estilo e sonoridade naquilo que Mark Kozelek faz com Sun Kil Moon e que Liz Harris faz com Grouper. De facto, Fortino combina bem os elementos acústicos, delicados, pensativos e sentidos de Sun Kil Moon, com a beleza transcendente dos véus sónicos sonhadores de Grouper. Em Life On Earth o que capta imediatamente a atenção do ouvinte é a proximidade quase pessoal que uma abordagem directa e de produção límpida que Fortino consegue atingir. Passe a comparação algo injusta, este disco pode mesmo ser o April de 2009.
Tracklist:
- Eyes Like Ours
- Development
- Slow Motion
- Dreamer
- Time Takes
- Young God
- Life On Earth
- CM
- Tiger Mountain
- Twilight Property
- Outside
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White Denim – Fits

Workout Holiday, o registo de estreia dos texanos White Denim, valeu-lhes alguma merecida exposição, tendo para tal contado com a valiosa contribuição e apoio do blog Gorilla Vs Bear que inclusive nomeou a banda para álbum do ano. O seu segundo disco propriamente dito, Fits, vê a banda aprimorar aqueles pormenores que a fazem especialmente única. Na realidade, os White Denim não fazem rock revivalista de garagem dos anos 60 como muitos dos seus pares. Não tanto como fazem uma versão desregrada e directa do estilo, prescindindo dos truques de produção que são muito utilizados no meio. O que só torna a banda ainda mais especial. Em números a faixa de abertura Radio Milk How Can You Stand It, a galopante Mirrored And Reverse, a viciante Regina Holding Hands ou o single I Start To Run, os White Denim mostram a sua progressão para uma banda mais versátil e mais assumidamente pop. E isso é mesmo óptimo.
Tracklist:
- Radio Milk How Can You Stand It
- All Consolation
- Say What You Want
- El Hard Attack Dcwyw
- I Start To Run
- Sex Prayer
- Mirrored And Reverse
- Paint Yourself
- I’d Have It Just The Way We Were
- Everybody Somebody
- Regina Holding Hands
- Syncn
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Smith Westerns – Smith Westerns

Faz alguma impressão o quão jovens são os integrantes dos Smith Westerns. Mal saíram da puberdade, todos com idades abaixo dos 20 anos, fazendo disso mais uma vantagem que outra coisa. Tal como os White Denim, adoptam uma abordagem mais pop ao rock de garagem que fazem, mas ao contrário dos White Denim, optam pela característica lo-fi do estilo. Ainda assim, a pura força das composições presentes no seu disco homónimo de estreia são mais que suficientes para captar a atenção de qualquer um. Esperaríamos faixas como Gimme Some Time de uns Black Lips no auge da sua forma, ou ainda Tonight de uns No Age ou até Girl In Love de uns T-Rex adolescentes. Se por um lado é díficil agrupar os Smith Westerns numa corrente recente de bandas com produção religiosamente lo-fi fazendo rock saudosista, é mais fácil apreciar o seu disco de estreia por aquilo que é: um conjunto de músicas pop ideais para ouvir no Verão.
Tracklist:
- Dreams
- Boys Are Fine
- Gimme Some Time
- Girl In Love
- We Stay Out
- Tonight
- Be My Girl
- The Glam Goddess
- Diamond Boys
- My Heart
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Let’s Wrestle – In The Court Of The Wrestling Let’s

Donos de um sentido de humor imbatível e distintamente britânico, só agora, cerca de dois anos depois de ter pela primeira vez tomado conhecimento deles, é que o triunvirato londrino brilhantemente apelidado de Let’s Wrestle consegue efectivamente lançar o seu disco de estreia. No entanto, não desilude. Os seguidores da banda estarão por certo relembrados da sua excelente série de singles desde há uns meses para a começar no homónimo Let’s Wrestle (“Let’s wrestle… let’s FUCKING wrestle…”) até I’m In Fighting Mode. In The Court Of The Wrestling Let’s procura continuar, com sucesso, a veia de pérolas pop casadas com uma destreza lírica que as transforma num tipo completamente diferente de propostas. Apesar da sua sonoridade pouco preocupada com delicadezas, é interessante ver que praticamente todas as faixas são autênticas operações de charme. Impossível é não simpatizar com uma banda como estas, pretensiosismos à parte.
Tracklist:
- My Arms Don’t Bend That Way, Damn It!
- I’m In Love With Destruction
- Tanks
- My Eyes Are Bleeding (Interlude)
- My Schedule
- We Are The Men You’ll Grow To Love Soon
- In Dreams
- Atlantis (Interlude)
- Song For Old People
- I Won’t Lie To You
- Diana’s Hair
- I’m In Fighting Mode
- Insects
- It’s Not Going To Happen
- Waltz (Interlude)
- In The Court Of The Wrestling Let’s
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Ganglians – Monster Head Room

A Woodsist, editora de origem de muitos noisemakers hoje em dia, descreve os Ganglians e o seu disco de estreia Monster Head Room como “all-over-the-map damaged-and-psychedelic noise-pop”. Mas desengane-se quem quiser ouvir aqui comparações minimamente plausíveis com outras bandas amantes do feedback e do ruído como os seus companheiros de editora Wavves ou Psychadelic Horseshit. Na verdade, é refrescante ouvir uma banda com um álbum que não corresponde exactamente às frases feitas da sua editora. Em Monster Head Room podemos encontrar uma vertente predominantemente psicadélica curiosamente fundida com um trabalho bastante aprumado da secção rítmica. De facto este é um álbum da secção rítmica por direito, que o prove a segunda faixa Voodoo, um impressionante trabalho de percussão e baixo, acompanhado por uma delicada guitarra. Monster Head Room é uma lufada de ar fresco nos quadros da Woodsist.
Tracklist:
- Something Should Be Said
- Voodoo
- Lost Words
- Candy Girl
- Valiant Brave
- The Void
- To June
- 100 Years
- Crying Smoke
- Modern African Queen
- Try To Understand
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Clark – Totems Flare

Há poucas propostas tão activas e ao mesmo tempo tão interessantes no catálogo da Warp hoje em dia como a do produtor electrónico inglês Chris Clark. Já não é nenhum novato nestas andanças e na verdade, Totems Flare, o seu último disco, é também o seu quinto. Contudo, em nada parece ter vindo a sofrer a qualidade do seu processo criativo. Tal como no excelente Turning Dragon do ano passado, Totems Flare continua, desenvolve e aperfeiçoa a deliciosa apetência de Clark para fundir batidas complexas e muitas vezes agressivas e instigantes com melodias viciantes e dançáveis. Isso talvez não seja atingido com tanta perfeição como é nas primeiras três faixas: a periclitante Outside Plume, a volátil Growls Garden e aquela que é provavelmente a jóia da coroa de Totems Flare, Rainbow Voodoo.
Tracklist:
- Outside Plume
- Growls Garden
- Rainbow Voodoo
- Look Into The Heart Now
- Luxman Furs
- Totem Crackerjack
- Future Daniel
- Primary Balloon Landing
- Talis
- Suns Of Temper
- Absence
Harvest Breed.
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