Arquivo de Outubro 29th, 2011

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Novos Lançamentos: Sandro Perri – Impossible Spaces

Quando, em 2003, Sandro Perri (Polmo Polpo) lançou o seu agora disco de culto Like Hearts Swelling, a tendência foi para que se perdesse no ruído de tudo o que a etiqueta canadiana Constellation estava a lançar na altura. Bandas como Godspeed You! Black Emperor ou Thee Silver Mt. Zion dominavam muito do que era a mensagem que saía da música canadiana. Nesse aspecto, Like Hearts Swelling foi, desde o início, um disco à frente do seu tempo. Juntava o minimalismo e a direcção ambiental do muito falado projecto do alemão Wolfgang Voigt, Gas, que na altura veria o muito merecido reconhecimento pelo seu último disco, Pop, aparecer, a algo mais. Um ‘algo mais’ que levou, tal como com Pop, uns anos a que fosse perfeitamente compreendido. Lentamente, Like Hearts Swelling não só veio a representar algo de perfeitamente único no catálogo da Constellation como algo de único na música contemporânea. Ecléctico e diversificado, Polmo Polmo era sinal de música verdadeiramente excitante, combinado o minimalismo techno com elementos orgânicos, de uma destreza fora do vulgar que se dava a uma execução técnica de instrumentais complexos mas envolventes.

Quase dez anos e três álbuns depois, Sandro Perri, já deixando para trás o nome de Polmo Polpo, continua a dar asas ao mesmo ecletismo e destreza que já ouvimos antes, mas agora numa dimensão mais abertamente pop. Ainda que, ao mesmo tempo, com estruturas musicais mais desalinhadas e incomuns. Em Impossible Spaces, o seu quarto disco em seu próprio nome, nono no total, Perri encontra para si mesmo um verdadeiro espaço que parecia pouco provável já de si: música doce e, sem margem para dúvidas, pop, que se casa com uma musicalidade expansiva, estruturas bizarras e complicadas e orquestração deslumbrante. Nesse aspecto, Impossible Spaces não é algo que possa ser directamente comparado com Like Hearts Swelling, mas podemos traçar a sua genealogia a partir daí. Quanto mais não seja, Perri demonstra aqui uma confiança inabalável na sua capacidade de composição que lhe dá a ele, e nós enquanto ouvintes, a sensação de que tudo poderá fazer e tudo poderá acontecer a qualquer altura. O mais impressionante nisto tudo, e aquilo que acaba por ser a peça central do disco, é a voz de Perri. Expressiva e com um alcance praticamente ilimitado, é dela que parte grande parte da saudável musicalidade que respira Impossible Spaces. Mas é também ela que nos indica que estamos perante algo pop, melódico e acessível.

O maior exemplo é a faixa de abertura Changes, que se apoia numa discreta mas invulgar linha de guitarra, que se expande numa mini-composição clássica. Acaba por ser no seu classicismo terminantemente anti-retro que tudo aqui assenta. A sua música é declaradamente orgânica, já sem os elementos techno que marcava o trabalho de Perri enquanto Polmo Polpo, a certas alturas fazendo lembrar os momentos mais leves dos últimos três discos de Talk Talk, mas faz-se de uma boa disposição inabalável. Essa é uma boa disposição que não perde tempo em transformar peças dispersas em algo melódico, um pouco como o ritmo de quase bossanova de um número como Love & Light, que dá lugar a uma coda peculiar mas estranhamente afectante, parece ser transformado em algo coerente pela invulgar facilidade vocal de Perri. Wolfman, a mais longa e chamativa faixa do álbum, segue uma fórmula semelhante a Changes: uma guitarra soluçante, letras desconjuntadas, teclados que vão aparecendo, uma espécie de caos pensado. Ainda assim, muitos dos elementos que à primeira vista parecem estar desconjuntados e dar a sensação de jam session também acabam por servir para levar muitas das melodias para lugares simplesmente esquisitos. E quanto mais cedo nos deixarmos levar por eles melhor.

Tracklist:

  1. Changes
  2. Love & Light
  3. How Will I?
  4. Futureactive Kid (Part I)
  5. Futureactive Kid (Part II)
  6. Wolfman
  7. Impossible Spaces

Harvest Breed.




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