Hoje tivemos uma reunião de banda com propósito de discutir como vamos planear o próximo ano em termos de lançamentos, composição e actividade global da banda. O D. quis avisar-nos que tem planos avançados em marcha, para emigrar a partir de Setembro de 2012. Não nos falou antes disto porque quis ter certezas da sua ida, e quis esperar pelo momento certo – hoje foi o momento certo. Conhecendo-o como o conheço, será preciso pouco menos que um milagre para desmantelar o que já é um plano meticuloso.
Uma banda sobrevive a maus concertos, a falta de dinheiro, a insultos de espectadores, ao escárnio de críticos – mas não sobrevive à perda de um vocalista e letrista. O D. é ainda mais que isso, é um moderador, é uma cabeça fria, uma peça fundamental na maneira como planeamos o futuro, e um músico sem substituto. Nós crescemos com ele. Perdê-lo é um golpe fatal do qual não sobrevivemos.
Vamos fazer os nossos planos para 2012, vamos tentar lançar um single e um álbum. Se estes serão os nossos últimos 12 meses, temos de fazer deles 12 meses que nunca serão esquecidos. Como num filme de acção em que o herói se confronta com um fim horrível e inevitável, que nós espectadores sabemos que não vai acontecer, parte de mim quer acreditar que algo imprevisível vai surgir do nada e manter o D. em Portugal. Outra parte de mim sabe que não estou num filme de acção, e que nada o irá manter cá. Perder a banda não é tão mau, eu só não queria perder o meu amigo e irmão de guerra. Se calhar alguma coisa imprevisível vai surgir…
Which Will.
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