Os Melhores Álbuns do ano
[25] Quiet Loudly | Soulgazer
[24] Yellow Swans | Mort Aux Vaches
[23] Ganglians | Monster Head Room
[22] The Intelligence | Fake Surfers
[21] Alva Noto | Xerrox, Vol. II
[20] Ducktails | Landscapes
[19] St. Vincent | Actor
[18] Kreng | L’Autopsie Phénoménale de Dieu
[17] Jim O’ Rourke | The Visitor
[16] Shackleton | Three EPs
[15] Kurt Vile | Childish Prodigy
[14] Sunset Rubdown | Dragonslayer
[13] Future Of The Left | Travels With Myself And Another
[12] Cryptacize | Mythomania
[11] Neon Indian | Psychic Chasms
[10] Bill Callahan | Sometimes I Wish We Were An Eagle
O melhor disco de folk do ano vem de um experimentado. No seu segundo registo a solo, consegue o balanço entre a sua voz grave e poderosa e a afectação sentimental que tem o seu pico em faixas como Jim Cain, All Thoughts Are Prey To Some Beast ou Too Many Birds. Prezando a invulgar simplicidade dos seus arranjos, Sometimes I Wish We Were An Eagle mantém uma coerência e uma consistência em toda a sua duração que é pouco usual no estilo, mesmo em discos considerados clássicos. Simples, sentido e intimista.
[09] Circulatory System | Signal Morning
Confesso que levei o meu tempo para me habituar totalmente ao regresso dos Circulatory System de Will Cullen Hart. Signal Morning é aquilo que conhecíamos dos The Olivia Tremor Control, frenético, irrequieto e ambicioso, feito em 2009, já algum tempo desde os tempos áureos da Elephant Six. Ainda assim, é muito viciante. Já como se vem tornado hábito nos conjuntos de Hart, Signal Moring vem recheado de algumas pérolas pop como o single Overjoyed, Round Again ou Rocks And Stones, desta feita com a produção mais rica e detalhada que ouvíamos nos seus projectos desde há muito, e combinados com belíssimos números acústicos como News From The Heavenly Loom ou I You We.
[08] Grizzly Bear | Veckatimest
Depois da excitação deu-se a aclamação e terminou com a inevitável contra-corrente. Acabou por ser uma verdadeira relação de amor-ódio que os críticos fomentaram com Veckatimest, o terceiro disco dos nova-iorquinos Grizzly Bear e aquele que os projectou para o reconhecimento. Apesar das críticas de pertencer a uma corrente de música alternativa de fato e gravata, Veckatimest continua a ser um disco impressionante. Impecavelmente produzido por Chris Taylor, nele experimentamos a harmonia de Two Weeks, a solidão de While You Wait For The Others ou a perfeição de Cheerleader. Sim, alguns dirão que poderá soar clínico e por vezes matemático. E então?
[07] Atlas Sound | Logos
Desde que saiu que tive sempre uma relação de altos e baixos com o disco de estreia de Bradford Cox sob a designação de Atlas Sound, Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel. Com Logos, sem margem para dúvidas uma proposta mais pop e convencional, foi imediato. Grande parte do álbum gravado em take directo, Logos opta por uma via acústica onde Let The Blind… tinha escolhido electrónica densa e fria, e esconde nele algumas das melhores melodias pop que Cox compôs até à data. Para além da colaboração com Panda Bear em Walkabout, Shelia será sem dúvida uma das faixas mais viciantes do ano, enquanto The Light That Failed ou Criminals aperfeiçoam a fórmula de shoegaze que Cox tem popularizado.
[06] Mulatu Astatke & The Heliocentrics | Inspiration Information, Vol. 3
Mulatu Astatke não necessitará de grandes apresentações. Pioneiro do jazz etíope fundido com influências clássicas ocidentais, aos 66 anos juntou-se ao conjunto de jazz experimental londrino The Heliocentrics no sentido de fazer um registo que fundisse a ousadia dos segundos com as sensibilidades musicais do primeiro. Com os The Heliocentrics, Astatke tem a combinação perfeita que lhe permitiu fazer um álbum extraordinário, Inspiration Information, Vol. 3. Recaindo bastante na construção de ritmos infecciosos e instrumentalização imaginativa e extremamente competente, Inspiration Information, Vol. 3 é já de si composta em parte por um conjunto de covers da impressionante carreira de Astatke.
[05] Natural Snow Buildings | Shadow Kingdom
Há muito que se diga do intenso culto montado à volta do duo francês de drone folk Natural Snow Buildings. Mehdi Ameziane e Solange Gularte lançam vários álbuns e duplo álbuns por ano, até nos seus projectos a solo TwinSisterMoon e Isengrind respectivamente, mas pouco ou nada se sabe sobre eles. Shadow Kingdom é o último registo da dupla, uma espécie de trabalho visual acompanhado de ilustrações sugestivas feitas pelos dois e que combinam com o triplo LP. Denso, compenetrado e sempre intenso, Shadow Kingdom é mais uma excelente adição ao longo catálogo da banda.
[04] The Flaming Lips | Embryonic
Este era suposto ser o ano em que os Flaming Lips se assumiam definitivamente como banda ao vivo e deixavam para trás a sua tradição de produzir álbuns com a qualidade de Yoshimi Battles The Pink Robots ou The Soft Bulletin. A coisa é que acabou por não ser bem assim, e o culpado é Embryonic. Não será fácil saber como incorporar alguma da música psicadélica e experimental que aqui aparece no espectáculo ao vivo da banda, por entre Teletubbies e explosões de confetti. Mas para já chega-nos este monstro que dá pelo nome de Embryonic, um disco tanto pop, como em Convinced Of The Hex ou Silver Trembling Hands, como ousado, em Powerless ou The Ego’s Last Stand.
[03] A Sunny Day In Glasgow | Ashes Grammar
A cada ano que passa nunca deixa de faltar aquela banda que se supera e nos surpreende. Aquela da qual sempre gostávamos, mas nunca nos tinha agarrado pelos colarinhos. Este ano foi a vez dos A Sunny Day In Glasgow. Ashes Grammar nunca teve nenhum single que ficasse no ouvido e os A Sunny Day In Glasgow provavelmente sofrerão sempre da falta de exposição por estarem assinados com a minúscula Mis Ojos Discos, mas este foi um disco que acabou por ganhar tracção por pura força de boato e diz-que-disse. Os A Sunny Day In Glasgow podem não ser mesmo escoseses, mas Ashes Grammar tem todo do misticismo e densidade da bruma britânica, com toda a modernização dos cânones do shoegaze das terras de Sua Majestade.
[02] Real Estate | Real Estate / Reality EP
Com todo o falatório de chillwave e glo-fi este ano, não deixa de ser interessante como estes Real Estate, com pouco em comum com a sonoridade reinante deste novo género, tenham aparecido a navegar a onda do seu hype. Contando com Matthew Mondanile, que a solo opera como Ducktails, com Alex Bleeker, que já tem um disco como Alex Bleeker and Friends, e Martin Courtney e Etienne Pierre Duguay, os Real Estate lançaram o trabalho com mais potencial de colocar em repeat do ano. Com um nome tão mundano e corriqueiro, é estranho que os Real Estate tenham no seu disco homónimo e no seu EP Reality alguma da música mais relaxada e feel-good dos últimos anos, mas essa é a realidade.
[01] Wild Beasts | Two Dancers
O que é que mudou no espaço de menos de um ano para que os Wild Beasts se transformassem daquele conjunto de excessos e de falsettos com innuendo sexual com letras sugestivas para um grupo de quatro rapazes sóbrios que fazem música altamente personalizada, fria e afectante? Ninguém deve saber bem ao certo, mas tanto que abraçamos esta mudança como podemos declarar Two Dancers como o disco do ano. Um trabalho equilibrado como mais nenhum, impecavelmente produzido como poucos, arrepiante sem paralelo. Two Dancers vagueia desde ritmos dançáveis até sensibilidade emotiva, exactamente como mais nenhum este ano. Simplesmente único.
Uma Playlist de 2009
[01] HEALTH | Die Slow [Get Color]
[02] Phoenix | Armistice [Wolfgang Amadeus Phoenix]
[03] Atlas Sound ft. Noah Lennox | Walkabout [Logos]
[04] Super Furry Animals | White Socks/Flip Flops [Dark Days/Light Years]
[05] Animal Collective | In The Flowers [Merriweather Post Pavillion]
[06] Real Estate | Beach Comber [Real Estate]
[07] The Horrors | Sea Within A Sea [Primary Colours]
[08] Neon Indian | Deadbeat Summer [Psychic Chasms]
[09] Bill Callahan | Too Many Birds [Sometimes I Wish We Were An Eagle]
[10] Grizzly Bear | While You Wait For The Others [Veckatimest]
Harvest Breed.










