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23
Nov
11

Cachet 0, Vol. 21

Já há quase 1 mês que não ensaiamos todos juntos. Neste tempo todo, fizemos um ensaio, com um elemento ausente. Não têm havido ensaios porque uma ou outra pessoa está ocupada com assuntos pessoais, e invariavelmente outras duas acorrem dizendo que não lhes apetece muito ou não lhes dá muito jeito ensaiar, especialmente com um elemento a menos. Nós tínhamos um calendário para este ano (que incluía a gravação de um single nos próximos meses), calendário esse que agora começa a parecer uma distante miragem. Há 2 anos atrás todos na banda davam o braço direito para não faltar a um ensaio, mas também isso é uma distante miragem. Percebo que muitos deles têm agora noivas, empregos e projectos pessoais que não tinham dantes, mas o tom de alguns transpira desmotivação e desapontamento. Praticamente sem concertos, com mais em que pensar, e com um prazo de validade até D. sair, a banda parece caminhar sem intento ou direcção. Uma facção na banda está frustrada com a possibilidade de uma redução da assiduidade dos ensaios, que isso representa baixar ambições.

Eu percebo essa frustração, é bom ela existir. No entanto, parece-me que nem todos nós já perceberam o real estado da nação. Se alguns já interiorizaram que o fim está para acontecer, a melhor maneira de impedir o barco de afundar agora é de tornar a banda novamente divertida, e de deixar para segundo plano a ambição de um cariz mais carreirista. O que nos vai segurar agora não vai ser a promessa de mais concertos, de críticas favoráveis ou de vôos mais altos – será o convívio, a união e a música nova. Acho que algures no meio a facção ambiciosa irá encontrar a facção resignada. Espero que sim; ficaria a pensar no que poderia ter acontecido o resto da vida, se a banda atirar a toalha no ringue sem sequer tentar fazer o LP número 2.

Entretanto, comecei já a preparar o meu cenário pós-guerra pessoal. Nos últimos dias, tenho dedicado várias horas por dia a compor em casa e exercitar técnicas de produção novas. A minha paixão por música electrónica já tem anos, e o declínio anunciado da banda parece-me uma oportunidade tão boa como qualquer outra para começar um projecto que há muito quero fazer. Uma nova oportunidade para me frustrar com a indústria musical, sozinho.

Which Will.

02
Nov
11

Cachet 0, Vol. 20

Hoje tivemos uma reunião de banda com propósito de discutir como vamos planear o próximo ano em termos de lançamentos, composição e actividade global da banda. O D. quis avisar-nos que tem planos avançados em marcha, para emigrar a partir de Setembro de 2012. Não nos falou antes disto porque quis ter certezas da sua ida, e quis esperar pelo momento certo – hoje foi o momento certo. Conhecendo-o como o conheço, será preciso pouco menos que um milagre para desmantelar o que já é um plano meticuloso.

Uma banda sobrevive a maus concertos, a falta de dinheiro, a insultos de espectadores, ao escárnio de críticos – mas não sobrevive à perda de um vocalista e letrista. O D. é ainda mais que isso, é um moderador, é uma cabeça fria, uma peça fundamental na maneira como planeamos o futuro, e um músico sem substituto. Nós crescemos com ele. Perdê-lo é um golpe fatal do qual não sobrevivemos.

Vamos fazer os nossos planos para 2012, vamos tentar lançar um single e um álbum. Se estes serão os nossos últimos 12 meses, temos de fazer deles 12 meses que nunca serão esquecidos. Como num filme de acção em que o herói se confronta com um fim horrível e inevitável, que nós espectadores sabemos que não vai acontecer, parte de mim quer acreditar que algo imprevisível vai surgir do nada e manter o D. em Portugal. Outra parte de mim sabe que não estou num filme de acção, e que nada o irá manter cá. Perder a banda não é tão mau, eu só não queria perder o meu amigo e irmão de guerra. Se calhar alguma coisa imprevisível vai surgir…

Which Will.

27
Out
11

Cachet 0, Vol. 19

Há uns dias atrás, enviei um link de videoclip no youtube a um colega de banda. Era um clip de rapper americano, filmado no seu bairro, com letras sobre o seu bairro. Mostrei-lhe porque sei que ele gosta de hip hop, e eu gosto muito deste rapper em particular. O comentário dele foi “Isto é para o lol?”.

Não percebeu. Achou que era um video viral. A coisa mais tradicional do hip hop é um rapper a falar sobre a vida no seu bairro, mas isto não ressoou com ele. Julgava que estava a ser “irónico”. A “ironia” tornou-se uma estranha forma de moda, e por associação, levar as coisas a sério tornou-se estranhamente passé. Há umas semanas atrás, aborreci uma amiga quando tentei perceber porque é que ela usava óculos grandes de massa se ela nunca precisou de óculos para ver. Nem sequer perguntei pelas calças justinhas, ou os sapatos mocassin – estamos a falar de uma mulher de 21 anos, não estamos a falar alguém com 65 anos ou de um desenho animado da década de 50. Respeito um gosto diferente, mas não entendo este gosto. Parece que o objectivo é deliberadamente de parecer o mais imbecil possível. Mas “ironicamente” imbecil, passo o “sarcasmo”.

Modas são modas, suponho eu, e raramente uma moda é bonita aos olhos de quem não padece dela. Contudo, é interessante ver como a “ironia” está a povoar o panorama musical português: bandas e artistas solo vestidos como personagens Disney, a cantar letras ligeirinhas em português, a tocar canções simples na viola, gravadas no sótão em casa, levando terrivelmente a sério a maneira de estar mas não a música. Tornou-se moda não querer fazer a diferença, tornou-se moda esperar que a música não seja mais que o veículo descartável para um estilo de vida. Querer escrever música para mudar as pessoas tornou-se um objectivo imbecil. Porque a tendência em Portugal é de que a música não seja feita para fazer a diferença.

Which Will.

21
Out
11

Cachet 0, Vol. 18

As coisas estão difíceis. A distribuidora está atrasada e desinteressada, o disco teima em não aparecer nalgumas lojas apesar de já ter sido oficialmente lançado há quase um mês. Continuamos com uma dívida pesada à nossa promotora, que só devemos conseguir saldar no fim do ano. Estamos com grandes dificuldades em arranjar concertos em que nós não acabemos a pagar para tocar, e a este ritmo vamos precisar de 5 ou 6 anos para juntar dinheiro suficiente para gravar um segundo disco. Conseguimos arranjar dinheiro do nosso bolso para lançar o primeiro, mas já não temos ajudas e condições pessoais para fazer a mesma coisa outra vez. Seja culpa da crise económica ou não, há muitos problemas sérios para os quais nós não temos qualquer tipo de ideia como resolver… E quando a poeira da promoção do disco de estreia assentar, vamos ter de ter soluções ou a banda afunda com apenas um disco lançado.

No fim de semana passado tivemos 2 concertos no Sul, o que implicou passarmos todos 2 noites na estrada. O primeiro concerto foi um daqueles que bateu onde doi mais. A banda da primeira parte atrasou-se quase 2 horas, e nós entramos muito tarde no palco. Durante o concerto, fomos fustigados com problemas técnicos. Estavam 20 pessoas na plateia, numa cidade em que nós sempre julgámos que tinhamos um following enorme. No fim, o representante da sala de espectáculos não nos queria dar todo o cachet que havia combinado connosco. Depois, um grupo de 4 bêbados com mau aspecto ameaçou o R. quando estava sozinho a arrumar material no carro (felizmente ficou por aí). Nada correu bem. Fomos no carro a olhar para as ruas sujas em silêncio, cada um de nós a pensar à sua maneira onde é que as coisas descambaram para nós. Cansados, sem dinheiro, sem público, sem respeito, só queriamos uma cama onde cair – e mais do que querer que o concerto do dia seguinte fosse bom, nós precisávamos que o concerto do dia seguinte fosse bom.

O concerto do dia seguinte tinha o soundcheck invulgarmente marcado para muitas horas antes do abrir de portas, o que nos deu tempo para vaguear um bocado pela cidade. Comprámos umas garrafas de vinho alentejano (o mais barato que havia), e fizemos uma coisa que já não fazíamos há anos. Passámos tempo juntos. Sem ninguém alguma vez falar de ensaios, concertos, entrevistas, agentes, canções ou da indústria musical, e nessa altura percebemos que já não faziamos isso há muito tempo. Esquecemos essa parte fundamental de tocar numa banda, de ser divertido. De que uma banda é mais do que a música que faz e a relevância artística, que isso está no centro esquecido daquilo que fazemos. No fim do dia, fez-nos melhor essa realização do que um bom concerto.

Which Will.

12
Out
11

Cachet 0, Vol. 17

“Olá, eu sou a Kdvssbvjsfib”. Seguro um microfone e digo o meu nome, o nome da minha banda e o nome da publicação (descobri eu que isto se chama “fazer um ID”). É assim que começa mais uma entrevista, num jardim da cidade. Já demos dezenas de entrevistas mas eu quase nunca fixo o nome dos jornalistas que nos entrevistam. Não faço isto por desinteresse, gostava mesmo de me recordar dos nomes deles todos, parecem-me simpáticos. Mas a minha memória para nomes não é grande coisa, e desconfio que eles também não vão memorizar o meu nome. Após mais uma entrevista, ocorreu-me que todos os jornalistas que nos abordam normalmente caem numa de 3 categorias: jornalistas que não ouviram o nosso disco nem leram o nosso press release, jornalistas que leram o nosso press release em 2 minutos mas não ouviram o nosso disco, e jornalistas que leram o press release e ouviram mesmo o disco.

Contrário àquilo que se calhar se pode pensar, muito poucos leram o press release e ouviram o disco. A maneira como eles encaram o trabalho deles não me diz respeito, mas acaba por me prejudicar: se estiver a ser entrevistado por uma pessoa que não ouviu o nosso disco, é natural que me faça perguntas que não têm nada a ver com a música. E nós vamos parecer imbecis que perdemos tempo a falar sobre peripécias na estrada, a origem do nome da banda e coisas tantas, em vez de falarmos sobre música. Sinto-me por vezes como o futebolista a quem todas as semanas lhe perguntam “como se sente?” depois de correr durante 90 minutos atrás de uma bola, e que faz um esforço para tentar dizer qualquer coisa mais inteligente do que “sinto-me cansado”.

Fora das entrevistas, dois jornalistas recentemente fizeram-nos críticas ambivalentes, classificando o disco como tendo mais ou menos algum interesse. Citam apenas e só as influências que nós lhes enviámos no press release, falam de como essas bandas estão demodé e não falam quase nada sobre as canções no disco, não dizem sequer se é um disco de hip hop ou de black metal. A crítica musical é um juiz, juri e carrasco – o músico não tem direito a contraditório, e o objectivo é apenas e só alguém dizer-nos que a nossa música é boa ou má. Porque é que um jornalista vai entrevistar uma banda ou escrever sobre ela se não ele quer falar da música? Fico sem perceber se são os seus leitores/editores que já não têm interesse em ouvir falar de música, ou se é uma cultura estabelecida nos media que já não interessa falar de música. De qualquer modo, tento não me preocupar muito com críticas desfavoráveis. Nas palavras de D., “Uma banda nunca deve tentar ser o seu maior defensor”.

O ponto positivo é que é extremamente gratificante ter uma entrevista/crítica com alguém que realmente ouviu o disco com atenção, e que quer ouvir falar da nossa música. Até pode não ser a música preferida do jornalista, mas nós temos a oportunidade de explicar o que queremos fazer, e os ouvintes depois decidem sozinhos se é bom ou mau. Desses jornalistas, eu nunca me esqueço o nome.

Which Will.

05
Out
11

Cachet 0, Vol. 16

Noutro dia disseram-me que nós, por nos darmos ao trabalho de fazer um videoclip, uma sessão fotográfica, de arranjarmos uma promotora e por darmos muito dinheiro para gravarmos um disco, deixámos de ser uma banda que existe pelo prazer de fazer música e passámos a ser uma banda que existe para procurar fama. O argumento era que, se a música era o que realmente interessava para nós, nós devíamos estar mais preocupados em escrever música nova em vez de estarmos a investir tanto tempo, dinheiro, trabalho e paciência em coisas acessórias à música. Não consegui deixar de pensar que era um argumento com alguma lógica. Então se uma banda está a fazer o trabalho de um manager e uma editora ao mesmo tempo, como é tem tempo e força para fazer música também? Ninguém nos obriga a fazermos mais do que música, só fazemos tudo o resto porque queremos (embora muitas vezes eu me questione porque é que o queremos fazer).

Nos anos 80 e 90, quando ainda haviam editoras discográficas a assinar bandas, havia uma indústria inteira por detrás de uma banda. O músico só tinha de fazer música e dar concertos. Agora, essa já não é a realidade – se o músico só fizer música, ninguém a irá ouvir, ele terá de ser enterpreneur também. Já não há muitos managers a orientar carreiras ou agentes a marcar concertos, e na esmagadora maioria das vezes uma banda tem de fazer esse trabalho, sob pena de dar por si a fazer música boa que nunca ninguém vai ouvir. A internet possibilitou os músicos de se tornarem managers, promotores e agentes, mas dizimou os managers, promotores e agentes que haviam.

Por vezes sinto que essa divisão está lentamente a tirar-nos o prazer de continuarmos a fazer isto. Quase todos nós temos empregos, e o objectivo de ter uma banda é de nos divertirmos e não termos um segundo emprego. Às vezes imagino o que deve sentir um soldado a caminho para uma batalha, olhando em volta pensando qual dos seus companheiros vai cair primeiro, ou se ele próprio será a primeira baixa. Já lá vai quase 1 ano e meio desde que só fazemos telefonemas, e-mails e burocracias, sem escrever uma única canção nova – quando sinto o desapontamento de algumas das outras pessoas na banda, penso para mim se irei perder alguém em breve.

Which Will.

06
Set
11

Cachet 0, Vol. 15

O nosso disco de estreia está para ser oficialmente lançado dentro dos próximos 2 meses, mas em boa verdade o disco não tem nada de novo para nós. O disco em si já foi gravado há um ano, e as músicas já têm quase 2 anos. O técnico de som que nos gravou demorou cerca de 4 ou 5 meses para nos gravar (muito para além do 1 mês que tínhamos planeado), depois demorámos cerca de 2 meses para arranjar dinheiro para o masterizar, e quando finalmente estava pronto a nossa promotora disse-nos para esperarmos mais 2 ou 3 meses pelo timing certo. E mesmo assim, tivemos de pressionar a fábrica de CD’s para nos entregarem as cópias a tempo. E é desta maneira que uma banda tem um disco à espera de ser lançado há um ano.

Quando entrarmos em palco para promover o disco, a única coisa que vamos ter em mente é que já estamos cansados daquelas músicas, que para muita gente vão ser novidade. Até ao fim do ano devemos começar a escrever e a tocar canções novas, e não sabemos ainda muito bem em que direcção é que elas irão, mas temos uma só expectativa: que não sejam as 12 canções do disco que estamos prestes a estrear.

Which Will.

17
Abr
11

Cachet 0, vol.14

Um amigo falou-me há dias de uma conversa que teve com um músico influente, líder de uma aclamada (mas não muito conhecida) banda portuguesa dos anos 80 e 90. Ele era uma inspiração musical e um ídolo para esse meu amigo. O músico em questão, fez publicar uma série de afirmações muito negativas e geralmente ignorantes sobre a música e os músicos portugueses de agora. O meu amigo, envolvido em vários aspectos da indústria musical, comenta publicamente que tem essa pessoa em grande admiração, mas que discorda dele e lamenta que ele tenha essa ideia da música actual portuguesa. Obteve desse músico que ele tanto admirava, uma resposta também pública, intensamente estúpida e desmedida: insultou a sua pessoa e a sua inteligência. E persistiu em querer dirimir as qualidades pessoais do meu amigo (sem o conhecer de lado algum), e não as suas ideias. Isto escalou numa discussão, com o tal músico cada vez mais próximo do insulto pessoal e do praguejar – aos olhos de toda a gente.

Esse meu amigo foi então aconselhado por outras pessoas do meio a deixar o assunto cair, pois a pessoa em questão faz frequentemente cenas destas, e que a exposição pública que esse meu amigo está a ter nesta discussão o está a magoar a ele (que é apenas um anónimo semi-profissional).

Gostava de perceber em que ponto da sua carreira aquele músico se convenceu que era aceitável tratar as pessoas desta maneira, e ignorar tudo o que o bom senso e a boa educação comandam. Ele, omnisciente e todo-poderoso, que eu nem sequer sabia que existia. Uma coisa é dar uma opinião (imbecil ou não) a um jornalista, outra coisa é desancar um confesso admirador em público por não concordar com ele. Como é que alguém quer ouvir a música de uma pessoa assim?

Which Will.

23
Mar
11

Cachet 0, Vol. 13

Nós sempre fomos auto-suficientes. Partimos do príncipio, logo ao início, que estamos sozinhos na missão de levar a banda para a frente. Nós arranjávamos os nossos próprios concertos directamente, contactávamos jornalistas directamente, contactávamos agências e editoras, faziamos as nossas próprias photoshoots, artwork, management, webdesign, videos, masterizações, etc. Só raramente pediamos ajuda a um ou outro amigo que queira trabalhar de graça. Todos as semanas trocávamos dezenas de e-mails para articular tarefas e objectivos. Por volta de 80% do nosso tempo era passado com tarefas de gestão e soluções do-it-yourself, contra 20% de tempo passado a fazer música.

Agora estamos a trabalhar com terceiros, pessoas cuja função é fazer aquilo que os músicos não são suposto fazer (o que é imenso). Pessoas que nos arranjam concertos, e só nos dizem onde é que temos de estar e quando. Pessoas que contactam os media, e fazem chegar o nosso nome e música ao desktop de gente influente, bem como do público em geral. Nunca tinhamos tido gente a trabalhar connosco, e estamos muito felizes por termos pessoas competentes nas fileiras a tratar destas coisas.

Por outro lado, é estranho. Habituamos-nos a ser control freaks, gerentes de um negócio (por sinal, sem lucro nenhum), constantemente em sinergia e constantemente à procura de soluções. Quase que nos tinhamos esquecido o que é sermos apenas e só músicos, a fazerem aquilo que supostamente fazem melhor. Agora, com esses aspectos nas mãos de gente experiente e capaz (graças a deus), andamos um pouco de mãos nos bolsos com a sensação de que devíamos estar a fazer qualquer coisa. Se calhar deviamos aproveitar para compor música nova. Ou se calhar deviamos abrir um negócio.

Which Will.

01
Mai
10

Novos Lançamentos: Darwin Deez – Darwin Deez

Hoje em dia é lugar comum no pop indie o “bedroom songwriter”. Com a emergência de nomes como Ariel Pink, tem surgido uma proliferação de pop simples, semi-psicadélico e do-it-yourself. Neste contexto, Darwin Deez lançam o seu LP de estreia homónimo este mês. Darwin Deez (frontman e compositor) é ex-guitarrista da banda nova-iorquina The Creaky Boards, e aparentemente “loves to dance”. Actualmente em digressão no Reino Unido, a música de Darwin Deez situa-se algures entre o pop imediato e mecânico de Phoenix, a austeridade de produção de Spoon e a exuberância de letras de Chad Van Gaalen. Contudo, Darwin Deez escapam à tentação do lo-fi declarado e aos delírios psicadélicos literários e instrumentais de outros artistas americanos de indie pop recentes.

Não obstante, há uma leve toada de lo-fi e psicadelismo neste disco de estreia. As guitarras são acompanhadas de uma caixa de ritmos limitada e repetitiva (sem ser monótona), a produção é singela e efeitos são usados raramente e de forma linear. O psicadelismo também ele é subtil e apenas mais evidente nas letras, nomeadamente em canções como Deep Sea Divers ou Constellations. Darwin gosta de dançar, e também isso transpira no disco – do princípio ao fim, demonstra uma forte noção de pop inteligente e dançável, elevado por uma voz lúcida e doce. Talvez uma das canções do disco mais fortes nesse aspecto, The Suicide Song consegue fazer do suicídio um assunto leve, sem o caricaturar ou retirar significado.

Darwin Deez é um disco importante para quem acompanha o indie pop americano em 2010. A maneira franca e sincera como se apresenta como sendo divertido sem ser estúpido, e minimal sem ser desleixado, oferece-nos um estilo paradoxalmente sofisticado e imediato. Com um aspecto visual que dificilmente passa despercebido, Darwin Deez é certamente um artista para seguir este Verão.

Tracklist:

  1. Constellations
  2. Deep Sea Divers
  3. The City
  4. DNA
  5. The Suicide Song
  6. Up In The Clouds
  7. Bed Space
  8. The Bomb Song
  9. Radar Detector
  10. Bad Day

Which Will.




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