Wild Beasts no São Jorge, 4/12/09 21:30-22:30
Segunda edição do menos orçamentalmente abonado festival dos que têm Super Bock no nome viu a estreia em Portugal dos muito elogiados Wild Beasts, praticamente abrindo o festival e com um set de apenas 60 minutos. A banda de Leeds apresentou-se sob a toada fria e majestosa do seu último disco, o belíssimo Two Dancers, extraíndo de lá a maioria da sua setlist. Com uma competência e uma entrega assinalável, o quarteto reforçou o brilhantismo do seu mais recente LP e a exuberância do seu registo de estreia. O delicado semblante de His Grinning Skull e a inquietude de Brave Bulging Buoyant Clairvoyants mostraram que há mais desta banda para lá de Two Dancers.
Nota: 9.5
Voxtrot no São Jorge, 4/12/09 23:15-00:30
Criativamente falando, os texanos Voxtrot dão toda a ideia de estarem à deriva. Depois de recentes sessões na sua cidade natal de Austin com o baterista dos Spoon, Jim Eno, a banda emergiu com dois singles que fizeram inclusivamente parte do seu set no São Jorge, o desajustado Trepanation Party e o mais inspirado Berlin, Without Return. Mas parece ser com o material mais primordial que a banda se sente mais à vontade e isso reflecte-se numa melhor ligação com o público e, nesse aspecto, o magnetismo do vocalista Ramesh Srivastava faz o resto, inclusive um encore acompanhado apenas de guitarra acústica. Tudo isto se traduz num concerto certinho, mas divertido.
Nota: 7.5
Beach House no Tivoli, 5/12/09 22:15-23:15
Passou um ano desde o memorável concerto no Maxime, daqui por uns três meses estarão de volta a Lisboa, mas para os Beach House este ano mudou tudo. As digressões de Victoria Legrand com os Grizzly Bear, e principalmente o seu mais recente Teen Dream restabeleceram e irão propalar o duo de Baltimore para maiores públicos. Entretanto apresentaram-se no Tivoli com um set já muito inclinado para os temas do seu último registo, e estão uma banda diferente. Menos pessoal e íntimo do que tinha sido no Maxime, mas a diferença de confiança em palco e de dimensão traduzida para a audiência foi abismal. Um concerto que acabou por confirmar uma banda em pleno crescimento.
Nota: 9.5
The Invisible no São Jorge, 5/12/09 23:00-00:00
Depois de ter falhado o concerto de The Invisible no Pukkelpop deste ano por sobreposição de horários, estava determinado a que não voltasse a acontecer, mas pelo menos em parte aconteceu mesmo. Aqueles que são regularmente, mas injustamente, apelidados junto dos media britânicos como os Tv On The Radio ingleses apareceram emparedados pelos concertos de nomes fortes como Beach House ou Little Joy, mas fizeram uma performance extremamente competente. Navegando quase sem esforço por entre números sombrios e maléficos e faixas de toada mais dançável, os The Invisible mostram a aptidão fantástica que lhes valeu a nomeação para o Mercury Prize deste ano e um óptimo controlo do público.
Nota: 7.5
Little Joy no Tivoli, 5/12/09 23:45-01:00
O conjunto americano-brasileiro que apareceu em cena no ano passado com um dos discos de estreia mais apelativos e sedutores do ano acabou também por ser a banda mais aplaudida e aclamada do festival. E com boa razão. Os Little Joy são de uma alegria contagiante em palco, traduzindo isso numa óptima relação com o público, que cedo se levantou das cadeiras e se juntou em constantes singalongs, fazendo bom uso da vantagem da língua. A pura simplicidade e inocência do seu material traduz-se num espectáculo simplesmente divertido, livre de pretensiosismos, mas também de momentos pesados. Os números mais reflectivos sob a voz solitária de Rodrigo Amarante ou Binki Shapiro são claros pontos altos de um concerto marcado pela alegria.
Nota: 9
Kap Bambino no Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal, 5/12/09 00:45-01:45
Não haja dúvida que um parque de estacionamento acaba sempre por ser um local estranho para um concerto, já nem falo de palco, bares e barraquinhas de comes-e-bebes. Mas tendo em conta aquilo que apresentaram os franceses Kap Bambino, uma espécie de versão europeia de electrónica imediata e distraída dos canadianos Crystal Castles, até nem acabou por estar muito desajustado. Contando com uma falange de apoio adolescente que respondia a todos os berros indistintos e gestos bizarros de Caroline Martial, que dava voz, ou qualquer coisa nesse sentido, ao grupo de Bordéus, a abordagem dos Kap Bambino mostra que não é impossível juntar a saga do Twilight aos Crystal Castles em formato musical.
Nota: 3
Harvest Breed.