Não é difícil chegar à conclusão de que Bradford Cox, frontman dos Deerhunter e a cara única de Atlas Sound, é um dos músicos mais criativos em actividade. Seja motivado por que influências lhe passarem pela cabeça cada vez que compõe, não se pode dizer que algum dos lançamentos a que se associou tenha desapontado. O que não invalida que muito do que produz seja dependente do que ouve no momento. Cox apresenta-se assim no Lux, numa noite de Junho, sozinho, sem percussão ou banda de apoio, de guitarra ao peito, olhos nos pedais e harmónica ao pescoço. Depois de ter acabado o concerto de Deerhunter há um ano atrás neste mesmo palco a tocar covers de Neil Young com os Ariel Pink, Cox produziu em Logos um disco maioritariamente acústico, fundindo o cancionetismo simples e sincero de Young e seus pares com a sua natural sensibilidade para o shoegaze e o noise. E o resultado é simplesmente único. Apesar de soar e parecer relativamente simples, não se pode dizer que hajam assim tantos músicos a fazerem o que faz Cox.
No Lux, a primeira parte foi assegurada pelo duo de Pedro Magina e André Abel, Aquaparque, num set feito de altos e baixos. Apesar de fazerem algo declaradamente derivativo dos grooves samplados de Panda Bear, El Guincho ou Black Dice, e dos resultados do seu trabalho variarem, os Aquaparque não deixam de ser um ponto positivo no panorama musical português. Assim, é de notar os bons samples que constituem alguns dos números que estarão num novo disco, casados com boas performances vocais de Magina e alguns arranjos aceitáveis.
Ainda assim, a noite é de Cox e do seu Atlas Sound. Iniciando o set com a intimista The Screens, do seu Virtual 7” Nº 8, Cox cedo impôs um estilo pouco comum hoje em dia: honesto e simples, apoiando-se em composições bastante directas e que colocam o espectador num estado de proximidade com o artista quase sem paralelo. E o material, algum dele novo, também nunca o defrauda: a inocente Te Amo perde-se em loops delicados durante largos minutos até oferecer uma linha vocal tímida, enquanto que a extensa Please Come Home é um magistral exemplo de boa composição que vai de bridge em bridge, de loop em loop sempre com invulgar beleza. Terminando com Helicopter, um dos novos números que os Deerhunter têm rodado ao vivo, Cox fecha com uma pequena oferta ao público lisboeta. Um concerto a recordar.
Nota: 9
Harvest Breed.