Arquivo da categoria 'Feedback'

05
Out
11

Feedback, Vol. 5

O Shuffle. Todos os anos há um debate que aparece na indústria musical com mais insistência do que qualquer outro, mais até que a interminável saga dos downloads ilegais. Esse debate é o da morte do álbum como formato. Não faltam regularmente bandas que vão anunciando o seu abandono aos LPs a favor dos singles, dos lançamentos online ou dos EPs. Da mesma maneira que não falte quem aponte o dedo a possíveis culpados. Mas mais do que os downloads ilegais, o grande culpado é a função de Shuffle. Temas ao acaso, cortados à machadada dos seus álbuns, para satisfazer os défices de atenção de fãs impacientes de música, numa versão musical do Totoloto. Em Feedback, periodicamente desafiamos o Shuffle a escolher cinco temas ao acaso e escrutinamos os resultados.

The New Pornographers – [Twin Cinema #04] The Bleeding Heart Show [4:27] [2005]

  • Uma espécie de swansong para uma banda que fazia com Twin Cinema o seu trio de álbuns sólidos como não mais conseguiu desde então. Mais que isso, um admirável ponto alto: uma balada simples transformada numa coda em enérgica, com pontos extra pelo envolvimento bem sucedido de boa parte dos membros da banda.

Spacemen 3 – [Perfect Prescription #01] Take Me To The Other Side [4:40] [1987]

  • Não parece estar muito a acontecer aqui à primeira vista. Para lá do violento ataque sónico, que vai parando para respirar aqui e ali, as vozes perdem-se na mistura com o feel de se terem perdido também no tempo, e a tensão latente e o delírio drogado nos momentos de subidas e descidas rítmicas coloca o carimbo Spacemen 3 em cima de tudo aquilo. Seminal.

Earl Sweatshirt – [EARL #08] Moonlight Featuring Hodgy Beats [2:05] [2010]

  • No meio do hype de príncipio de ano que atraiu Tyler, The Creator ficou perdido o real grande activo do clã Odd Future, Earl Sweatshirt. EARL tem aqui um dos seus interlúdios subtis mas perturbadores que garantem a sua consistência no meio de tanto ethos abrasivo e niilista.

White Fence – [Is Growing Faith #12] Body Cold [1:51] [2011]

  • O rock imediato e cru dos White Fence acaba por inadvertidamente dar outra dimensão à fatia de moderação de Earl. Body Cold é directa, apoiada por uma linha insistente de órgão, chega rapidamente ao refrão e parece mais preocupada em sair antes que nos cansemos dela. Mas é assim mesmo que tem de ser.

Ladytron – [Velocifero #02] Ghosts [4:43] [2008]

  • Desinspirada amostra de electro numa não menos desinspirada tentativa de uma banda aparentar ter um som urgente. A urgência até parece estar lá, afogada em tanta superprodução, não se percebe bem é para onde caminha.

O veredicto:

  1. Spacemen 3 – Take Me To The Other Side
  2. The New Pornographers – The Bleeding Heart Show
  3. Earl Sweatshirt – Moonlight Featuring Hodgy Beats
  4. White Fence – Body Cold
  5. Ladytron – Ghosts

Harvest Breed.

19
Out
10

Feedback, Vol. 4

O Shuffle. Todos os anos há um debate que aparece na indústria musical com mais insistência do que qualquer outro, mais até que a interminável saga dos downloads ilegais. Esse debate é o da morte do álbum como formato. Não faltam regularmente bandas que vão anunciando o seu abandono aos LPs a favor dos singles, dos lançamentos online ou dos EPs. Da mesma maneira que não falte quem aponte o dedo a possíveis culpados. Mas mais do que os downloads ilegais, o grande culpado é a função de Shuffle. Temas ao acaso, cortados à machadada dos seus álbuns, para satisfazer os défices de atenção de fãs impacientes de música, numa versão musical do Totoloto. Em Feedback, periodicamente desafiamos o Shuffle a escolher cinco temas ao acaso e escrutinamos os resultados.

The Dodos – [Time To Die #01] Small Deaths [5:19] [2009]

  • Time To Die acabou por ser uma desilusão em comparação com o ultraconfiante Visiter. Small Deaths não me parece um mau tema, mas soa certamente a mal produzido. Tem uma boa melodia vocal nos versos, mas tirando isso não há muito a acontecer aqui.

Judee Sill – [Judee Sill #11] Abracadabra [2:03] [1971]

  • Há pouca gente no folk com uma voz tão abertamente honesta como Judee Sill. O seu disco homónimo não é menos que um triunfo da subtileza e da elegância no folk. Com Abracadabra, Sill faz parecer simples uma transição de uma música íntima para um número orquestral.

Chromatics – [Night Drive #06] Healer [3:56] [2007]

  • Mais diferente não podia ser. Em 2007 não faltaram os revivalismos de italo-disco, e os Chromatics foram de longe os melhores. Que linha de baixo tem Healer. A frieza da secção rítmica combina na perfeição com a guitarra ameaçadora. Óptima música.

Beach House – [Devotion #07] Heart of Chambers [4:25] [2008]

  • Nunca percebi a escolha de Heart Of Chambers para segundo single retirado de Devotion. Num disco de compromissos entre o pop fechado no quarto do álbum homónimo e o pop pop de Teen Dream, Heart of Chambers não chega às alturas de Gila, mas já puxa aos sentimentos de Zebra ou Norway.

The Kinks – [Something Else By The Kinks #02] Death Of A Clown [3:04] [1967]

  • Uma das raras contribuições de Dave Davies àquela que era essencialmente a banda do seu irmão Ray acabou logo por ser um dos seus singles mais emblemáticos, com a sua própria mulher a cantar no refrão. Em 1967 os The Kinks faziam pouco de mal e muito de bem. Case in point: Death Of A Clown.

O veredicto:

  1. The Kinks – Death Of A Clown
  2. Judee Sill – Abracadabra
  3. Beach House – Heart Of Chambers
  4. Chromatics – Healer
  5. The Dodos – Small Deaths

Harvest Breed.

22
Abr
10

Feedback, Vol. 3

O Shuffle. Todos os anos há um debate que aparece na indústria musical com mais insistência do que qualquer outro, mais até que a interminável saga dos downloads ilegais. Esse debate é o da morte do álbum como formato. Não faltam regularmente bandas que vão anunciando o seu abandono aos LPs a favor dos singles, dos lançamentos online ou dos EPs. Da mesma maneira que não falte quem aponte o dedo a possíveis culpados. Mas mais do que os downloads ilegais, o grande culpado é a função de Shuffle. Temas ao acaso, cortados à machadada dos seus álbuns, para satisfazer os défices de atenção de fãs impacientes de música, numa versão musical do Totoloto. Em Feedback, periodicamente desafiamos o Shuffle a escolher cinco temas ao acaso e escrutinamos os resultados.

Super Furry Animals – [Dark Days/Light Years #01] Crazy Naked Girls [6:16] [2009]

  • A música de abertura do último dos Furries, talvez uma das bandas mais subvalorizadas dos últimos dez anos. As coisas são sempre bem humoradas aqui, começam com algum ruído de estúdio, evoluem para um funk estranho e vão acabar num freak out de proporções épicas. Não será a melhor faixa do disco, mas é um óptimo começo.

Madvillain – [Madvillainy #17] Fancy Clowns (ft. Viktor Vaughn) [1:56] [2004]

  • Foi talvez em Madvillainy que o hip hip mais se aproximou da cultura intensiva de samples que DJ Shadow celebrizou no fim dos anos 90. Já na recta final do disco surge esta Fancy Clowns, curta, mas simbólica das fortalezas do álbum. O sample vocal é usado na perfeição com o de piano. Ainda assim, tal como em Since I Left You ou em Endtroducing, o álbum exige ser ouvido como um todo.

The Natural History – [Beat Beat Heartbeat #04] It’s A Law [1:46] [2003]

  • Suponho que o shuffle também tenha destas coisas. Duas faixas abaixo dos dois minutos que nem são de punk. Os The Natural History acabaram por se perder na maré da explosão do indie nesta década, mas são uma pérola por descobrir. It’s A Law é um dos muitos exemplos de pop simples e bem feito do seu disco de estreia. Boa linha de baixo, bateria imaginativa e a guitarra mal precisa de aparecer.

The Walkmen – [You & Me #14] If Only It Were True [3:07] [2008]

  • You & Me foi uma escolha praticamente consensual como um dos discos de eleição de 2008, e bem. É um álbum cheio de números discretamente sólidos, de pormenores deliciosos e de diferentes disposições. Mas sempre achei que a sua música final não é das mais fortes. Com o andamento de um filme western, If Only It Were True musicalmente não se mexe muito, apesar de óptimas letras.

No Age – [Nouns #09] Here Should Be My Home [2:04] [2008]

  • Mas a selecção de hoje acaba por ser muito forte. Apesar de ser tudo muito diferente entre si, este número punk perfeito do álbum de estreia como deve ser dos No Age fechou as coisas com classe. Confesso que desde o lançamento de Nouns que elegi esta Here Should Be My Home como uma das minhas favoritas pessoais. E não é difícil de perceber o apelo dos riffs enormes e das guitarras vibrantes.

O veredicto:

  1. No Age – Here Should Be My Home
  2. Madvillain – Fancy Clowns (ft. Viktor Vaughn)
  3. Super Furry Animals – Crazy Naked Girls
  4. The Natural History – It’s A Law
  5. The Walkmen – If Only It Were True

Harvest Breed.

17
Mar
10

Feedback, Vol. 2

O Shuffle. Todos os anos há um debate que aparece na indústria musical com mais insistência do que qualquer outro, mais até que a interminável saga dos downloads ilegais. Esse debate é o da morte do álbum como formato. Não faltam regularmente bandas que vão anunciando o seu abandono aos LPs a favor dos singles, dos lançamentos online ou dos EPs. Da mesma maneira que não falte quem aponte o dedo a possíveis culpados. Mas mais do que os downloads ilegais, o grande culpado é a função de Shuffle. Temas ao acaso, cortados à machadada dos seus álbuns, para satisfazer os défices de atenção de fãs impacientes de música, numa versão musical do Totoloto. Em Feedback, periodicamente desafiamos o Shuffle a escolher cinco temas ao acaso e escrutinamos os resultados.

Amon Tobin – [Splinter Cell Chaos Theory Soundtrack #03] Theme From Battery [4:26] [2005]

  • Acho que deve ter sido praticamente inédito que um artista já com algum renome fosse contratado para fazer a banda sonora de um videojogo. Theme From Battery é uma coisa um tanto para o cinemática, ambiental e densa, mas não é nada que Tobin já não tivesse feito por altura do fim do milénio, o seu melhor período.

The National – [Unreleased, B-Sides And Rarities #25] Brilliant Man [6:29] [2003]

  • Numa banda com a longevidade e a consistência dos The National vale sempre a pena ouvir alguns dos seus lados B. Brilliant Man não é brilhante e é gravada ao vivo, ficando de fora dos seus registos de estúdio, mas conta com letras inspiradas e um crescendo dramático. Não obstante é um curioso olhar a uma banda a atingir o seu pico.

The Fall – [The Wonderful And Frightening World Of #04] Elves [4:47] [1984]

  • Os The Fall a fazerem o que melhor fazem, naquele que acabou por ser o melhor período da longa história da banda. Em Elves a banda pega numa linha de baixo pesada e proeminente, e acaba por criar uma barreira de som que nos emerge no mundo de The Fall, pela voz de Mark E. Smith.

Blur – [Parklife #01] Girls And Boys [4:51] [1994]

  • O tema que introduziu a música electrónica dos anos 90 à Britpop com pompa e circunstância. Quem cresceu com a guerra fria entre Oasis e Blur, saberá distinguir a batida característica com que Girls And Boys dá início a Parklife. Na altura poucas bandas no mainstream mostravam tanta visão e ambição. Uma música que definiu uma banda e uma era.

Belle And Sebastian – [Push Barman To Open Old Wounds #15] The Gate [4:27] [2005]

  • Num disco de compilação normalmente reúnem-se temas de ambiências muito distintas, e neste entrou material de sete lançamentos diferentes. Esta The Gate, por altura de The Boy With The Arab Strap, é uma música dócil e despretensiosa com Isobel Campbell à voz. Fantástico uso da secção de sopro.

O veredicto:

  1. Blur – Girls And Boys
  2. The Fall – Elves
  3. Belle And Sebastian – The Gate
  4. Amon Tobin – Theme From Battery
  5. The National – Brilliant Man

Harvest Breed.

04
Mar
10

Feedback, Vol. 1

O Shuffle. Todos os anos há um debate que aparece na indústria musical com mais insistência do que qualquer outro, mais até que a interminável saga dos downloads ilegais. Esse debate é o da morte do álbum como formato. Não faltam regularmente bandas que vão anunciando o seu abandono aos LPs a favor dos singles, dos lançamentos online ou dos EPs. Da mesma maneira que não falte quem aponte o dedo a possíveis culpados. Mas mais do que os downloads ilegais, o grande culpado é a função de Shuffle. Temas ao acaso, cortados à machadada dos seus álbuns, para satisfazer os défices de atenção de fãs impacientes de música, numa versão musical do Totoloto. Em Feedback, periodicamente desafiamos o Shuffle a escolher cinco temas ao acaso e escrutinamos os resultados.

The Rural Alberta Advantage – [Hometowns #03] The Deathbridge in Lethbridge [2:15] [2008]

  • Uma música simpática de um disco simpático. Não faltam por aqui piscares de olho a Holland, 1945 dos Neutral Milk Hotel, mas a coisa nunca é demasiado declarada. É um bom número pop que saiu da busca incessante pela fusão do folk insano de Jeff Mangum com o punk. Não é nada de antologia, mas não me importava nada de ouvir de novo.

Primal Scream – [Screamadelica #08] Damaged [5:39] [1991]

  • Não é das músicas mais cotadas do lendário Screamadelica, mas tem os seus pontos fortes. Dentro da companhia do resto do disco até será uma espécie de balada. Os americanos apelidariam isto de campfire song, um singalong à volta de uma fogueira de verão, daquelas que Jason Pierce acabou por construir uma carreira à sua volta.

Murcof – [The Versailles Sessions #06] Lully’s “Turquerie” As Interpreted By An Advanced Script [6:42] [2008]

  • Este não é o meu disco favorito de Murcof, na realidade até nem me disse muito, mas este tema final tem algo de especial. Por trás de um fundo electrónico minimalista, desenvolve-se uma atmosfera arrepiante e aquilo que me evoca quase um chamamento de batalha. Já não se faz assim tanta música com esta ousadia. Muito bom.

Jóhann Jóhannsson – [Englabörn #07] Sálfræðingur Deyr [3:41] [2002]

  • Uma peça arrepiante de música. Tirado do contexto do disco tem alguma dificuldade em impor-se, disso não haja dúvida, até por ser uma espécie de remake de uma outra faixa deste álbum. O tema acaba apenas por consistir num solitário violino friccionado e num violoncelo ameaçador. Poderoso, mas tirado do contexto perde alguma da sua força.

Rocky Marsiano – [The Pyramid Sessions #05] Round The Block Session [2:00] [2005]

  • Termina-se em alta. Infelizmente, o Rocky Marsiano nunca voltou a chegar ao nível deste The Pyramid Sessions, mas o casamento de jazz com electrónica nunca se fez tão bem em Portugal. Round The Block Session é apenas um interlúdio, mas tem um óptimo groove de baixo e samples que abrilhantam a coisa.

O veredicto:

  1. Murcof – Lully’s “Turquerie” As Interpreted By An Advanced Script
  2. Primal Scream – Damaged
  3. Jóhann Jóhannsson – Sálfræðingur Deyr
  4. Rocky Marsiano – Round The Block Session
  5. The Rural Alberta Advantage – The Deathbridge In Lethbridge

Harvest Breed.




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