Arquivo da categoria 'Pukkelpop 2009'

30
Set
09

Pukkelpop 2009 @ Hasselt/Kiewit, Bélgica (Dia 3)

Telepathe @ Chateau, 11:55-12:35

Parecendo que não, dois dias de festival de manhã à noite deixam marcas e custam a levantar da cama no terceiro dia. Da mesma ressaca padecia o duo nova-iorquino Telepathe, que batalhou com dificuldades técnicas, passando por graves que literalmente abanavam a tenda, até uma actuação de pára-arranca. Ainda assim, com material do seu disco de estreia, a banda lutou como pôde com o horário que lhe saiu na rifa.

Nota: 7

The Temper Trap @ Marquee, 12:35-13:15

A toada morna continuou com os neozelandeses The Temper Trap, com a agravante desta banda ser incrivelmente desinteressante. Apostando em sonoridades testadas e gastas ao estilo de uns Keane ou uns Coldplay, a sua abordagem inofensiva nunca deu para fazer aquecer os motores.

Nota: 6

Noisia @ Boiler Room, 13:00-14:30

A segunda passagem do fim de semana pelo massivo Boiler Room fez-se ao som dos ilustres do drum ‘n bass, os holandeses Noisia. Embora ser o primeiro a reconhecer o meu primitivo conhecimento do género, é um facto que o conjunto atraiu uma multidão bem apreciável para uma hora ainda difícil, enquanto o Boiler Room produzia graves que se ouviam no outro lado do recinto.

Nota: 7.5

Micachu & The Shapes @ Club, 14:00-14:40

Mica Levi e os seus The Shapes são talvez o epítome do lo-fi. Quase ao ponto de parecer tudo improvisado, até como resultado da postura descontraída do trio em palco, a banda consegue manter os procedimentos melódicos e interessantes. Abrindo com Curly Teeth e conseguindo apreciáveis respostas do público presente em faixas como Lips, ainda assim o set soou a curto.

Nota: 8

Hudson Mohawke @ Chateau, 14:40-15:20

O jovem precoce escocês Hudson Mohawke é uma das últimas apostas da mítica Warp para capitalizar no relativo sucesso de Flying Lotus, mas não sejamos redutores: o miúdo sabe o que faz. A sua música é propulsiva e dançável e o seu espectáculo visual é bastante atractivo.

Nota: 8

Deerhunter @ Marquee, 15:25-16:10

Depois do inspirado e extremamente pessoal concerto no Lux em Junho, não é de surpreender que os Deerhunter optem por uma abordagem muito mais industrial nos fesivais de verão. E isso faz com que toquem mais música, entrando desta feita mesmo em diversas faixas de quase todos os seus lançamentos. O resultado é enfeitiçante, mas não pareceu impressionar os miúdos ingleses de 13 anos que esperavam o concerto dos Enter Shikari que se seguia.

Nota: 9.5

Rolo Tomassi @ The Shelter, 16:10-16:55

Sem dúvida dos espectáculos ao vivo mais bizarros que assisti, o concerto daquela tarde dos Rolo Tomassi acabou com um mosh pit absurdamente volumoso e com a banda a descer ao público. Misturando relâmpagos de hardcore com interlúdios jazz, a banda terá sido das que mais bom impacto causou ao público dos três dias.

Nota: 9.5

Dinosaur Jr. @ Main Stage, 17:40-18:30

Em mais nenhum lado se verá a estranheza que é a banda de J Mascis e Lou Barlow abrir para 50 Cent, mas pouco importou para os fidelíssimos fãs da banda que inundaram o Main Stage. Abrindo com um cover de The Cure e recaíndo sobretudo em material do seu novíssimo Farm, os Dinosaur Jr. comprovaram que ninguém pode morrer sem os ver ao vivo.

Nota: 9.5

Florence And The Machine @ Club, 18:35-19:25

Depois da mega-enchente de Bon Iver no primeiro dia, foi a vez de Florence And The Machine beneficiar de um banho de multidão, desta feita maioritariamente feminino, que até complicava a entrada na tenda. Ainda assim, visivelmente emocionada com a recepção, Florence berrou a plenos pulmões, ensaiou coreografias com o público e até aproveitou para fazer um cover de Fever Ray. Tudo sobre Florence é inflacionado, empolado e inchado, mas isso nem sempre é bom.

Nota: 7.5

Klaxons @ Marquee, 20:20-21:10

Complicações com o novo álbum e tudo, os Klaxons continuam a ser uma banda entusiasmante ao vivo, capitalizando não só no seu popular primeiro disco bem como no seu muito apreciável novo material. Embora sem o fulgor de Lisboa quando visitaram o festival Alive este ano, é indesmentível a força que números como Magick, Golden Skans ou Gravity’s Rainbow ainda têm.

Nota: 8

Ellen Allien @ Boiler Room, 21:00-23:00

Não sei bem se seria intenção da organização colocar a rainha da BPitch Control, Ellen Allien, neste horário a entrar na recta final do festival, mas provocou uma interessante mudança de tom no Boiler Room. Allien renega o genérico e o banal para fazer um set pleno das complicações agradáveis que compoem a sua música.

Nota: 8

Tortoise @ Club, 22:15-23:15

É impossível ver os Tortoise ao vivo e não ficar intimidado com o seu nível de capacidade e execução técnica, onde cada membro muda de instrumento e a banda prossegue mostrando a sua destreza no seu elemento característico atmosférico ou mesmo nas suas digressões pelo jazz. Com material maioritariamente de Beacons Of Ancestorship, a banda mostra-se intemporal, mas nem sempre consistente.

Nota: 8.5

Arctic Monkeys @ Main Stage, 23:20-00:35

E então, coube assim aos mega-populares Arctic Monkeys o fecho do Pukkelpop 2009. Tocando para um público maioritariamente expectante de material dos seus primeiros dois registos, a banda transpôs a sua nova direcção musical para tudo o que faz, desde a atitude em palco, até aos elementos visuais que procura conjugar ao vivo, passando até pelos cortes de cabelo. Acabou por não ser grande surpresa que o quarteto de Sheffield acabou por povoar o set de material do novo Humbug, começando pela dupla entrada da stoner My Propeller e do cover de Nick Cave, Red Right Hand. A verdade é que, de qualquer maneira que queiramos ver as coisas, os Arctic Monkeys fazem uma óptima banda ao vivo, e nesse aspecto Humbug é uma feliz adição ao seu inspirado catálogo. Ainda assim, enquanto fãs da velha guarda suspirarão pela omissão de When The Sun Goes Down ou A Certain Romance do set, outros apreciarão a emoção extrovertida de Secret Door e a enfeitiçada beleza simples de Cornerstone, não esquecendo óbvios favoritos como Brianstorm ou Fluorescent Adolescent.

Nota: 9

Harvest Breed.

24
Set
09

Pukkelpop 2009 @ Hasselt/Kiewit, Bélgica (Dia 2)

Delphic @ Marquee, 12:30-13:10

Para quem já os tinha visto em Lisboa no Optimus Alive, não perdeu nada de novo. A banda inglesa continua a apresentar-se com apenas dois singles de discografia oficial, e embora seja claro que há ideias e estruturas interessantes, a sensação geral é que Delphic precisam de mais material e mais selectividade no setlist, e menos tempo a alongar as poucas canções que já têm.

Nota: 6.5

And So I Watch You From Afar @ The Shelter, 13:10-13:50

Sobre os norte-irlandeses And So I Watch You From Afar sabíamos pouco mais do que uns titulos de canções imaginativos (como “Set Guitars To Kill” e “If It Ain’t Broke, Break It”) e que faziam um tipo de post-rock instrumental misturado com punk. O concerto foi agressivo e genuíno – o público aderiu e ASIWYFA (WTF?) mostraram que rock instrumental pode ser imediato e sincero, sem ter a prepotência que muitas vezes se associa a este tipo de música. O gesto de oferecer algumas tshirts ao público depois do concerto foi bonito e sentido.

Nota: 7.5

A Place To Bury Strangers @ The Shelter, 14:30-15:10

A Place To Bury Strangers têm alguma fama por serem loucamente barulhentos ao vivo, fama essa completamente merecida. O som que saia dos amplificadores de guitarra e dos microfones era simplesmente ruído branco, com apenas baixo e bateria vagamente discerníveis. Foi brutal, exagerado, vertiginoso e fantástico.

Nota: 8

Future Of The Left @ The Shelter, 15:50-16:35

Future Of The Left tiveram um publico inesperadamente enorme, que conhecia muito bem a sua discografia e que resistiu à tentação de pedir canções de Mclusky. Houve mosh, gritaria, sangue, suor e lágrimas. Só quem lá esteve sabe o que foi.

Nota: 10

Buraka Som Sistema @ Dance Hall, 16:35-17:25

Os não-tão-orgulhosamente sós representantes portugueses levaram muitos milhares de belgas à loucura, belgas esses que não faziam ideia do que é um Wegue Wegue (tal como nós) nem do que as letras querem dizer (tal como nós). Tiveram a sensibilidade para misturar os seus originais com samples e excertos de êxitos mais mainstream (como “Satisfaction” de Benni Benassi) e deram espectáculo no dancefloor.

Nota: 8

Bill Callahan @ Chateau, 17:15-18:05

O concerto de Callahan veio trazer um momento para descansar e uma lufada de ar fresco, numa tenda quente e abafada no Pukkelpop. A sua actuação foi tal e qual como a sua música editada – intimista, sincera, simples e baseada na premissa de que uma simples boa canção com bons músicos funciona por si só.

Nota: 8.5

Glasvegas @ Marquee, 18:10-19:00

Segundo consta, Glasvegas andam a tocar exactamente as mesmas músicas ao vivo há cerca de 5 ou 6 anos. Enquanto que o seu trabalho em estúdio não aquece nem arrefece, a banda escocesa é definitivamente um espectáculo tépido ao vivo – com uma atitude afável mas desgastada, parece que estamos a ver a primeira parte de um concerto de The Jesus And Mary Chain… Uma banda antiquada de uma cena antiquada, que tenta um sing along em cada canção.

Nota: 6

The Jesus Lizard @ The Shelter, 18:50-19:40

Os The Jesus Lizard são uma banda de referência dos anos 90 que só recentemente se reuniu. Ao contrário de Glasvegas, não pareciam envelhecidos nem um minuto. Tecnicamente, tocaram sem enganos e a velocidade de cruzeiro arranjos complexos de rock subversivo. O vocalista parecia um doente mental e transmitia a sensação de que tudo de selvagem e imprevisível podia acontecer – quem nunca viu The Jesus Lizard ficou grato por não morrido sem antes os ter visto ao vivo.

Nota: 10

Vampire Weekend @ Marquee, 19:50-20:40

Já cansa vê-los e ouvi-los, e isso diz qualquer coisa da sua música, que definitivamente perde o seu encanto quando ouvida pela 324ª vez. E à chuva. Uma ou outra canção nova e por editar tornou vagamente interessante o seu set.

Nota: 6.5

HEALTH @ Chateau, 20:45-21:35

Os californianos Health não são um mar de simpatia e cordialidade em palco. Muito pelo contrário, para eles business is business, e fazer noise sem ser indulgente ou caprichoso significa seriedade. Mas quem vem ver Health sabe que não vai acenar isqueiros e cantarolar letras. Foram incisivos, intensos e mostraram que a sua música é cerebral e brutal em iguais partes.

Nota: 8.5

Fever Ray @ Marquee, 21:40-22:30

O projecto a solo de Karin Dreijer-Andersson de The Knife tem granjeado uma fama por ter visuais espectaculares ao vivo. Com uma multitude de lasers, candeeiros e holofotes em cuidada sincronia com sintetizadores, kick drums e momentos importantes nas músicas, bem como maquilhagem e guarda-roupa exuberante, Fever Ray fizeram jus à reputação. Contudo, a superior teatralidade e formalidade do concerto pode desiludir alguns espectadores que esperavam um pouco mais de interacção e descontracção pessoal de Dreijer-Andersson.

Nota: 8

Squarepusher @ Dance Hall, 21:50-23:05

É meio estranho falar de um concerto de um projecto de IDM. Contra todas as expectativas, Squarepusher foi refrescantemente espontâneo e imprevisível ao vivo. Um baixista dotado, Tom Jenkinson usou o baixo tanto para tocar normalmente como para controlar parâmetros no seu laptop em tempo real, e a velocidade a que o fazia fez parecer o seu baixo com um banjo em bluegrass. Parte do espectáculo foi acompanhado por um baterista, igualmente rápido e espontâneo. Uma experiência musical que desafia categorização.

Nota: 9

dEUS @ Marquee, 23:35-00:50

dEUS estavam a jogar em casa, e isso fez-se sentir. Tiveram a coragem e à vontade para abordar vários temas dos dois últimos discos, apesar do peso da importância e popularidade do seu trabalho mais antigo. Contaram com a presença de Karin Dreijer-Andersson para um dueto, e acima de tudo mostraram-se confiantes e descontraídos.

Nota: 8

Krafwerk @ Main Stage, 00:30-02:00

Que dizer de Kraftwerk que ainda não foi dito? São mais importantes para a música electrónica do que Elvis, Beatles e Stones são juntos para o pop/rock. A componente visual dos seus concertos definiu o standard para gerações de músicos desde os anos 70. A beleza fria da sua música é intemporal e delicada, e a sua integração com o lado visual do espectáculo torna indistinto o que se ouve do que se vê. Frente a um enorme mar de jovens de olhos arregalados em espanto, Kraftwerk provam que não têm nada a provar – estivemos em ’78 outra vez, durante uma hora.

Nota: 10

Which Will.

16
Set
09

Pukkelpop 2009 @ Hasselt/Kiewit, Bélgica (Dia 1)

Bélgica: o centro geográfico e político da Europa, local de nascimento das melhores cervejas do continente, casa-mãe da comunidade pedófila europeia, e país acolhedor do festival Pukkelpop, um mega-evento de orientação alternativa e mainstream que se estende durante três longos dias debaixo das estrelas belgas. A sua edição de 2009 pode-se gabar de um dos line-ups mais fortes dos últimos anos para qualquer festival na Europa continental e o Volume/Tone fez parte das 170 mil pessoas que não faltaram à chamada e à oportunidade de ver algumas das bandas mais excitantes do momento. Durante a estadia, vimos um total de 43 bandas e artistas diferentes, o que pelas contas do preço do bilhete cifra um total de cerca de 3 euros por concerto. Contrariando as expectativas, o primeiro dia foi pródigo em temperaturas abrasadoras e em bandas como os pioneiros alt-country Wilco, os sempre voláteis Faith No More ou os lendários amantes do loud, My Bloody Valentine.

The Maccabees @ Main Stage, 11:20-11:55

Liderados por Orlando Weeks, nunca abdicando do seu boné, os proto-Futureheads deram início ao festival com uma actuação no monstruoso Main Stage. Com um set recaíndo bastante no seu novo disco Wall Of Arms, a banda, ainda que se ressentindo da hora madrugadora, consegue uma performance cativante com pontos altos nos últimos singles, No Kind Words, tema de abertura, e Love You Better, que fechou o set.

Nota: 7.5

Vetiver @ Chateau, 12:30-13:10

Seguem-se os californianos Vetiver, no seguimento do seu muito competente último disco Tight Knit. Apesar do fortíssimo calor que se fazia sentir num palco fechado, o soft rock/folk da banda de San Francisco é facilmente imediato e ganha boa aceitação junto do público. More Of This é o ponto alto de um set relaxado e confiante, deixando definitivamente para trás a toada morna que se poderia fazer sentir à hora.

Nota: 8

Howling Bells @ Marquee, 13:10-13:50

O palco Marquee é facilmente a coisa coberta mais monstruosa que já tinha visto num festival de música. Estando cheio, dá toda a sensação que poderia lotar o Coliseu dos Recreios. Ainda assim, o rock antémico dos australianos vive da dualidade entre um bastante agradável primeiro álbum e um banal segundo disco, Radio Wars, que a banda se encontra a promover, e isso faz-se sentir no set. Ora se atingem os altos de Low Happening do primeiro, ora damos por nós distraídos enquanto a banda replica alguns dos seus números recentes.

Nota: 6.5

Golden Silvers @ Club, 14:30-15:10

Ao contrário do que diz no seu nome, o palco Club, apesar de ser fechado e recriar um ambiente estufa com altas temperaturas, não fica fora dos limites da área do festival nem é propriamente um club. Posto isto, tenho de confessar que os ingleses Golden Silvers são uma minhas bandas fetiche dos últimos tempos. O seu disco de estreia, True Romance, é uma irresistível pedra preciosa de pop veraneante, e o seu concerto de festival é apropriadamente carregado de números dançáveis como o tema-título ou Magic Touch.

Nota: 9

Aeroplane DJ Set @ Boiler Room, 15:30-17:00

O duo belga Aeroplane captou as atenções de muita gente com os seus remixes vitoriosos, entre os quais o de Paris dos Friendly Fires em conjunto com as vozes das Au Revoir Simone. Jogando em casa, e no Boiler Room, uma enorme garagem que durante todo o dia se dedicava a passar música electrónica, os Aeroplane mostraram não só excertos dos seus remixes, não só de Friendly Fires ou Fever Ray, mas também um estilo de electrónica mais fria e calculada.

Nota: 8.5

Bon Iver @ Marquee, 15:50-16:35

Bon Iver deve ser ridiculamente popular na Bélgica. De todos os sets que vimos neste palco, e por aqui passariam por exemplo os heróis da casa dEUS por duas vezes, os Bon Iver não só encheram a casa, mas fizeram-na transbordar de gente por todos os lados. Não sendo propriamente o ambiente ideal para a música intimista de Justin Vernon, a sua técnica e entrega às músicas é exemplar, seja na abertura com Creature Fear ou na muito ovacionada Skinny Love.

Nota: 8

The Big Pink @ Club, 15:50-16:30

Os Big Pink fazem parte de uma vaga de nova música inglesa que tem conseguido boa imprensa dos dois lados do Atlântico. Fazem-no fundindo com sucesso guitarras ao estilo Loveless com um ataque techno e electrónico mais frio. Não é, por isso, surpresa que os pontos altos do seu set recaiam nos singles orelhudos Velvet e Dominos, passando ainda por um surpreendente cover de Smashing Pumpkins.

Nota: 9

Port O’Brien @ Chateau, 16:35-17:20

Apesar de um bom disco na manga sob a forma de All We Could Do Was Sing, os Port O’Brien sobem a um palco debaixo de um calor abrasador para tocar na sua grande maioria takes do seu novo álbum, Threadbare. O novo material não deixa, ainda assim, de ser bem recebido, com forte e saudável influência de Neutral Milk Hotel, ainda que os pontos altos sejam puxados para o fim do set, entre os quais o single Close The Lid.

Nota: 8

Passion Pit @ Club, 17:20-18:05

Se por um lado os singles infecciosos, o palco intimista e a sonoridade dançável adivinhava um grande concerto, por outro sempre circulavam os rumores que os Passion Pit eram simplesmente um falhanço rotundo ao vivo, apontando o falsetto de Michael Angelakos como uma das razões para isso. Felizmente, os rumores provaram-se completamente infundados e o set de Passion Pit, com uma apoteótica The Reeling, acabou mesmo por ser um dos pontos altos do fim de semana.

Nota: 10

Soap & Skin @ Chateau, 18:05-18:50

Soap & Skin é o alias musical da virtuosa austríaca Anja Plaschg, cuja sonoridade claustrofóbica se encaixaria melhor num ambiente nocturno do que propriamente no fim de uma tarde muito quente. Ainda assim, ora sentada ao piano, de laptop preparado, ora com incursões pelo público, Plaschg acabou por dar um bom concerto.

Nota: 7.5

Wilco @ Marquee, 18:45-20:15

Depois do excelente concerto no Coliseu, a tournée europeia dos nativos de Chicago Wilco entrou no circuito de festivais, no qual parece inserir-se com absoluta facilidade. Com um set algo semelhante ao de Lisboa, com a particularidade de investirem sobre material do mítico Summerteeth, com destaque para A Shot In The Arm, a banda até motivou um dos melhores momentos de comunhão com o público na já habitual Spiders.

Nota: 8.5

Grizzly Bear @ Club, 20:45-21:30

Com dois dos melhores discos da década na bagagem, sob a forma de Yellow House e do mais recente Veckatimest, os Grizzly Bear vieram à Bélgica reforçar a noção que apesar de tudo ainda conseguem ser melhores em concertos sob nome próprio. Ainda assim, fazendo-se complementar com Victoria Legrand no single Two Weeks, com números infalíveis ao vivo como On A Neck, On A Spit ou Cheerleader, a banda tem uma magia muito especial ao vivo que poucas outras bandas hoje em dia podem reclamar para si.

Nota: 10

Them Crooked Vultures @ Marquee, 20:55-21:55

Numa surpresa que à altura do concerto já era tudo menos isso, a vaga entre Wilco e Beirut no palco Marquee foi tomada pelos Them Crooked Vultures, a nova banda de Josh Homme, John Paul Jones e Dave Grohl. Fazendo-se valer mais pela ocasião com cheiro a história a ser feita do que propriamente pelo material que, ainda que soando bem, é inteiramente novo e constando de um futuro novo disco, os três, acompanhados de Alain Johannes, mostraram-se em boa forma.

Nota: 8

DeVotchKa @ Chateau, 22:00-22:50

Nunca tendo presenciado a rotina dos acrobatas de que os americanos DeVotchKa se fazem acompanhar em digressão, não deixa de ser surpreendente que acabaram por ser os únicos a transformar a tenda do palco Chateau no verdadeiro circo que parecia de fora. Com material maioritariamente de How It Ends, popularizado pela banda sonora de Little Miss Sunshine, Nick Urata e companheiros têm uma destreza impressionante para os seus instrumentos, casando-os com belíssimas melodias.

Nota: 8.5

Beirut @ Marquee, 22:55-23:55

A última banda a tomar o palco antes dos headliners do dia foi a trupe de Zach Condon, os Beirut. Incrivelmente populares na Bélgica, a banda conseguiu pôr a rebentar pelas costuras o já espaçoso palco Marquee, especialmente frequentado por público feminino que cantou palavra por palavra alguns dos seus êxitos, em particular a delicada Nantes e a épica Elephant Gun. Ainda assim, os Beirut tendem em entrar numa dinâmica repetitiva ao vivo, e o espectáculo acaba por se tornar um bocadinho inconsistente.

Nota: 8

My Bloody Valentine @ Marquee, 00:55-1:55

Apenas uma semana depois de serem carinhosamente corridos do palco do Rock One de Portimão com assobios e gestos simpáticos, os míticos shoegazers irlandeses tocaram para uma audiência consideravelmente mais receptiva no Pukkelpop. E nada falta daquilo que distingue o típico concerto de My Bloody Valentine, seja a coluna monstruosa de amplificadores que suporta o som de guitarra de Kevin Shields e que impede que se ouça mais alguma coisa ao vivo, seja o holocausto sónico de You Made Me Realise. Ver My Bloody Valentine ao vivo deve ser encarado como mais que um concerto, antes uma experiência, tanto que não é para todos e o Marquee acabou a noite algo magrinho, mas é sem dúvida uma catarse colectiva para quem fica.

Nota: 9.5

Harvest Breed.