Telepathe @ Chateau, 11:55-12:35
Parecendo que não, dois dias de festival de manhã à noite deixam marcas e custam a levantar da cama no terceiro dia. Da mesma ressaca padecia o duo nova-iorquino Telepathe, que batalhou com dificuldades técnicas, passando por graves que literalmente abanavam a tenda, até uma actuação de pára-arranca. Ainda assim, com material do seu disco de estreia, a banda lutou como pôde com o horário que lhe saiu na rifa.
Nota: 7
The Temper Trap @ Marquee, 12:35-13:15
A toada morna continuou com os neozelandeses The Temper Trap, com a agravante desta banda ser incrivelmente desinteressante. Apostando em sonoridades testadas e gastas ao estilo de uns Keane ou uns Coldplay, a sua abordagem inofensiva nunca deu para fazer aquecer os motores.
Nota: 6
Noisia @ Boiler Room, 13:00-14:30
A segunda passagem do fim de semana pelo massivo Boiler Room fez-se ao som dos ilustres do drum ‘n bass, os holandeses Noisia. Embora ser o primeiro a reconhecer o meu primitivo conhecimento do género, é um facto que o conjunto atraiu uma multidão bem apreciável para uma hora ainda difícil, enquanto o Boiler Room produzia graves que se ouviam no outro lado do recinto.
Nota: 7.5
Micachu & The Shapes @ Club, 14:00-14:40
Mica Levi e os seus The Shapes são talvez o epítome do lo-fi. Quase ao ponto de parecer tudo improvisado, até como resultado da postura descontraída do trio em palco, a banda consegue manter os procedimentos melódicos e interessantes. Abrindo com Curly Teeth e conseguindo apreciáveis respostas do público presente em faixas como Lips, ainda assim o set soou a curto.
Nota: 8
Hudson Mohawke @ Chateau, 14:40-15:20
O jovem precoce escocês Hudson Mohawke é uma das últimas apostas da mítica Warp para capitalizar no relativo sucesso de Flying Lotus, mas não sejamos redutores: o miúdo sabe o que faz. A sua música é propulsiva e dançável e o seu espectáculo visual é bastante atractivo.
Nota: 8
Deerhunter @ Marquee, 15:25-16:10
Depois do inspirado e extremamente pessoal concerto no Lux em Junho, não é de surpreender que os Deerhunter optem por uma abordagem muito mais industrial nos fesivais de verão. E isso faz com que toquem mais música, entrando desta feita mesmo em diversas faixas de quase todos os seus lançamentos. O resultado é enfeitiçante, mas não pareceu impressionar os miúdos ingleses de 13 anos que esperavam o concerto dos Enter Shikari que se seguia.
Nota: 9.5
Rolo Tomassi @ The Shelter, 16:10-16:55
Sem dúvida dos espectáculos ao vivo mais bizarros que assisti, o concerto daquela tarde dos Rolo Tomassi acabou com um mosh pit absurdamente volumoso e com a banda a descer ao público. Misturando relâmpagos de hardcore com interlúdios jazz, a banda terá sido das que mais bom impacto causou ao público dos três dias.
Nota: 9.5
Dinosaur Jr. @ Main Stage, 17:40-18:30
Em mais nenhum lado se verá a estranheza que é a banda de J Mascis e Lou Barlow abrir para 50 Cent, mas pouco importou para os fidelíssimos fãs da banda que inundaram o Main Stage. Abrindo com um cover de The Cure e recaíndo sobretudo em material do seu novíssimo Farm, os Dinosaur Jr. comprovaram que ninguém pode morrer sem os ver ao vivo.
Nota: 9.5
Florence And The Machine @ Club, 18:35-19:25
Depois da mega-enchente de Bon Iver no primeiro dia, foi a vez de Florence And The Machine beneficiar de um banho de multidão, desta feita maioritariamente feminino, que até complicava a entrada na tenda. Ainda assim, visivelmente emocionada com a recepção, Florence berrou a plenos pulmões, ensaiou coreografias com o público e até aproveitou para fazer um cover de Fever Ray. Tudo sobre Florence é inflacionado, empolado e inchado, mas isso nem sempre é bom.
Nota: 7.5
Klaxons @ Marquee, 20:20-21:10
Complicações com o novo álbum e tudo, os Klaxons continuam a ser uma banda entusiasmante ao vivo, capitalizando não só no seu popular primeiro disco bem como no seu muito apreciável novo material. Embora sem o fulgor de Lisboa quando visitaram o festival Alive este ano, é indesmentível a força que números como Magick, Golden Skans ou Gravity’s Rainbow ainda têm.
Nota: 8
Ellen Allien @ Boiler Room, 21:00-23:00
Não sei bem se seria intenção da organização colocar a rainha da BPitch Control, Ellen Allien, neste horário a entrar na recta final do festival, mas provocou uma interessante mudança de tom no Boiler Room. Allien renega o genérico e o banal para fazer um set pleno das complicações agradáveis que compoem a sua música.
Nota: 8
Tortoise @ Club, 22:15-23:15
É impossível ver os Tortoise ao vivo e não ficar intimidado com o seu nível de capacidade e execução técnica, onde cada membro muda de instrumento e a banda prossegue mostrando a sua destreza no seu elemento característico atmosférico ou mesmo nas suas digressões pelo jazz. Com material maioritariamente de Beacons Of Ancestorship, a banda mostra-se intemporal, mas nem sempre consistente.
Nota: 8.5
Arctic Monkeys @ Main Stage, 23:20-00:35
E então, coube assim aos mega-populares Arctic Monkeys o fecho do Pukkelpop 2009. Tocando para um público maioritariamente expectante de material dos seus primeiros dois registos, a banda transpôs a sua nova direcção musical para tudo o que faz, desde a atitude em palco, até aos elementos visuais que procura conjugar ao vivo, passando até pelos cortes de cabelo. Acabou por não ser grande surpresa que o quarteto de Sheffield acabou por povoar o set de material do novo Humbug, começando pela dupla entrada da stoner My Propeller e do cover de Nick Cave, Red Right Hand. A verdade é que, de qualquer maneira que queiramos ver as coisas, os Arctic Monkeys fazem uma óptima banda ao vivo, e nesse aspecto Humbug é uma feliz adição ao seu inspirado catálogo. Ainda assim, enquanto fãs da velha guarda suspirarão pela omissão de When The Sun Goes Down ou A Certain Romance do set, outros apreciarão a emoção extrovertida de Secret Door e a enfeitiçada beleza simples de Cornerstone, não esquecendo óbvios favoritos como Brianstorm ou Fluorescent Adolescent.
Nota: 9
Harvest Breed.